Bebés fascistas

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No PÚBLICO de ontem, na reportagem de Andrea Cunha Freitas sobre as crianças hiperactivas com défice de atenção, contava-se que cada vez se vendem mais psicoestimulantes, como a Ritalina. Fica-se com a ideia que é uma boa notícia. E os bebés? Os bebés não sofrem da perturbação de hiperactividade com défice de atenção? De que maneira! Sofrem e fazem sofrer. Levante o braço quem nunca esteve a almoçar numa esplanada ou a viajar num avião e, sendo continuamente embarulhado pela liberdade de expressão de um anjinho de mama, não tenha perguntado a Deus: "E não se pode medicá-los?"

Aos bebés tudo se permite. Tenho a impressão que nem sequer podem ser condenados à cadeia. Hitler deve ter sido um estupor de bebé, mas deixaram-no passar à mesma. Todos os bebés são diferentes - são como as pessoas. Há bons e maus, burros e inteligentes. Mas todos têm um toque de, não digo Hitler, mas de Mussolini.

São totalitários. Há-de reparar-se que os bebés estão sempre "cheios" de fome ou "cheios" de sono. Nunca estão com uma certa fominha ou com um certo sono. Nunca têm, simplesmente, fome. Ou sono. Não. Estão sempre loucos de famintos, delirantes de exaustão. Por isso gritam - não gritariam, se a necessidade de comer ou de dormir não fosse total. Vem no Dicionário do Bivar: Cabrão, s.m. criança que berra muito.

A Maria João diz que a culpa é dos corpinhos que têm: são tão pequeninos que é num instante que se enchem de fome ou de sono. Talvez, talvez.