Futuro de Queiroz incerto a um mês do regresso da selecção

Dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol aguardam que o técnico seja ouvido pelo Conselho de Disciplina e só depois decidem a sua continuidade

As parcas palavras de Gilberto Madaíl no final da reunião de ontem ilustram, na perfeição, o que é o actual pensamento dos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). "O seleccionador é o nosso seleccionador", disse o presidente da FPF. Ou seja, Carlos Queiroz ainda é o treinador, porque tem contrato até 2012. Mas, questionado se há condições para o técnico continuar no cargo, o líder da federação respondeu. "Não sei. Vamos ver."

Madaíl nada mais disse após quase quatro horas de reunião, remetendo para o comunicado publicado no site da FPF, um documento que adia qualquer decisão sobre o futuro de Queiroz para meados de Agosto, depois de concluído o inquérito de averiguações que já decorre no Conselho de Disciplina e no âmbito do qual Carlos Queiroz será ouvido em breve - no regresso a Portugal, o técnico disse, ontem, que deseja falar com Madaíl e resolver este processo "o mais depressa possível".

A decisão sobre a continuidade do seleccionador deverá, assim, ocorrer duas semanas antes do primeiro jogo de Portugal na fase de qualificação para o Europeu de 2012, marcado para 3 de Setembro, em Guimarães, frente a Chipre, logo seguido, dia 7, de uma deslocação à Noruega.

Fonte da direcção federativa explicou ontem ao PÚBLICO que "a resolução de qualquer contrato é um acto muito reflectido", pelo que a FPF tem de aguardar que o Conselho de Disciplina ouça Carlos Queiroz e apure os factos ocorridos na Covilhã. Este órgão jurisdicional está a conduzir um processo de averiguações na sequência do inquérito enviado pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP), que aponta insultos de Carlos Queiroz ao presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (Adop), Luís Horta.

Desta investigação do Conselho de Disciplina podem advir dois tipos de consequências para Queiroz: por um lado, um processo disciplinar por eventual violação da legislação antidoping, no qual a Adop tem direito a dar um parecer, e cuja punição é uma multa. Por outro lado, concluído o processo do Conselho de Disciplina, a direcção decidirá se mantém Queiroz no cargo.

Nesta decisão, Madaíl e os seus pares têm de ponderar entre os argumentos de quem defende que Queiroz está a ser alvo de um ataque pessoal e que os alegados insultos são menos graves do que a tentativa de agressão de Scolari em 2007 (ver outro texto) e os argumentos de quem entende que não há condições para a manutenção do treinador, dada a sucessão de casos e os desentendimentos internos com elementos da federação.

Além da questão de saber se haverá motivos para uma rescisão por justa causa e se ainda está dentro do prazo para o efectuar (60 dias após o conhecimento dos factos), a FPF debate-se com uma outra dificuldade caso queira despedir Queiroz: o curto tempo para contratar um sucessor. Manuel José disse ontem à Antena 1 que o "povo da rua" deseja que ele seja o seleccionador e que o seu contrato com o Al-Ittihad não seria um impedimento, mas antevê que "isso não vai acontecer", prevendo Luís Aragonés como novo seleccionador, caso Queiroz deixe o cargo.