Um novo Kuwait vizinho de São Tomé e Príncipe

A Guiné Equatorial era considerada no século passado um dos países mais atrasados da África, repartido entre uma parte continental (na fronteira do Gabão com os Camarões) e duas ilhas, num total de 28.051 quilómetros quadrados, o que é menos do que a Guiné-Bissau. Mas agora as grandes receitas provenientes da produção de petróleo e gás natural colocaram-no no trigésimo lugar do anuário da CIA, com um rendimento per capita de 36.600 dólares. Idêntico ao da Bélgica e à frente da Dinamarca, do Reino Unido, da Aleamanha, da França, da Espanha e do Japão. Mais de uma vez e meia o de Portugal, mais de dez vezes o de Cabo Verde.

No tempo da colonização espanhola em Rio Muni e nas ilhas de Fernão Pó (actualmente Bioko) e Ano Bom (hoje em dia Pagalu, já a sul de São Tomé e Príncipe), as exportações de cacau dominavam a economia, mas em 2004 o país tornou-se o terceiro produtor de petróleo da África subsariana, logo atrás da Nigéria e de Angola.

Só que a vasta maioria dos 650.000 habitantes continua a dedicar-se a uma economia de subsistência, quase sempre à margem da economia de mercado. Daí que no Índice de Desenvolvimento Humano a Guiné Equatorial não consiga melhor do que o 118º lugar, abaixo da Mongólia e do Vietname.

Para além do petróleo, do gás natural e do cacau, também se registam exportações de café, óleo de palma e madeiras.

São poucos os hospitais e os estabelecimentos de ensino, quase não havendo infra-estruturas fora das principais cidades, Malabo e Bata, nenhuma das quais chega sequer aos 140.000 habitantes.

Desde a proclamação da independência, em 1968, só conheceu dois presidentes: Francisco Macias Nguema Biyogo e o seu sobrinho, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que em 1979 tratou de o executar, tendo-lhe sucedido.

O principal grupo étnico é o fang, com 85 por cento da população, seguido pelo kombe, com oito por cento, e pelo bubi, com cinco por cento. Os primeiros europeus a tomarem contacto com esses povos foram os portugueses João de Santarém, Pedro Escobar e Fernando Pó, nos anos de 1471 e 1472.

No entanto, em 11 de Março de 1778, pelo Tratado do Pardo, Portugal cedeu à Espanha as ilhas de Fernão Pó e Ano Bom, bem como todos os direitos comerciais na costa em frente. Em troca, Lisboa conseguiu que o Brasil ficasse um pouco maior, recebendo uma parte do território que era do Uruguai. Jorge Heitor

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