Quatro anos após a inauguração

Retirados doentes do Hospital Geral de Luanda, prestes a desabar

Uma centena e meia de doentes foram retirados do Hospital Geral de Luanda, que ameaça ruir, quatro anos depois de construído por uma empresa chinesa, anunciou hoje a Rádio Nacional de Angola (RNA).

Os doentes foram levados do local depois da descoberta de “fissuras profundas nas paredes dos serviços de pediatria e de ginecologia”, especificou a RNA.

O estabelecimento, que custou 8 milhões de dólares (6,3 milhões de euros), foi construído pela China Overseas Engineering Group Company (COVEC), ao abrigo das linhas de crédito que a China concedeu a Angola, segundo o semanário privado angolano “O País”, que alertara que Hospital Geral poderia ruir a qualquer momento, pois que estava desde a semana passada “a cair aos bocados”.

O MPLA, partido no poder, enviou para o local a deputada Ariana Afonso, a qual declarou à RNA que “uma estrutura construída tão recentemente não deveria apresentar este tipo de problema, que coloca em risco a vida dos doentes. O governo provincial de Luanda deve procurar os responsáveis, porque 8 milhões de dólares são muito dinheiro”.

Desde o fim da guerra civil entre o MPLA e a UNITA, de 1975 a 2002, Angola encetou grandes obras públicas, graças ao auxílio da China, que abriu linhas de crédito em troca do petróleo angolano.

Os empréstimos são feitos por três entidades distintas: o banco estatal de exportação EXIM, o Fundo Internacional Chinês e o Banco Chinês de Desenvolvimento, cujo funcionamento é segundo a AFP considerado “muito opaco”.

Os empréstimos chineses destes últimos oito anos elevam-se a 9.000 milhões de dólares (7.100 milhões de euros), estando agora a ser negociado um novo crédito no valor de dois terços desse total até agora concedido.

Logo um ano a seguir à sua inauguração, as instalações do Hospital Geral de Luanda começaram a apresentar fissuras no interior e no exterior, situação que se arrastou até agora, sem que tivesse havido qualquer intervenção de monta por parte dos empreiteiros ou da entidade que fiscalizou a obra, escreveu o semanário “O País”.

A directora daquela unidade hospitalar, Isabel Massocolo, explicou nos últimos dias à imprensa que os doentes iriam ser transferidos, de modo a evitar que se repetisse uma situação de Março de 2007, quando desabou o edifício da Direcção Nacional de Investigação Criminal e morreram soterradas mais de 30 pessoas.

Em Março do ano passado o hospital recebera a visita de deputados da subcomissão parlamentar de Saúde e Ambiente, que constataram “algumas dificuldades, principalmente nas áreas de gestão e manutenção”. Mas nem esse nem outros alertas serviram de grande coisa, até que o mês passado os blocos provocados pelas fissuras se começaram a separar uns dos outros. Quem estivesse lá dentro via bem o que se passava no exterior, sem necessidade de ir à janela; e vice-versa. Tal como quem estivesse no rés-do-chão podia perfeitamente assistir às movimentações no andar de cima.