Fecho contraria políticas de coesão e proporciona maior qualidade pedagógica

Se há instituição que pode promover e contribuir para uma maior coesão territorial e para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, é a escola. Estes parecem ser, no entanto, factores que não estão a ser levados em conta na decisão do encerramento dos estabelecimentos de ensino que recebem menos de 21 alunos, cujo fecho está actualmente em cima da mesa. A análise é de Maria Manuel Vieira, investigadora do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.

O encerramento das escolas tem que ser "tratado com pinças porque pode estar a promover o esvaziamento acelerado dos meios mais pequenos", alerta. No entanto, espera-se que ao deslocar as crianças do 1.º ciclo para centros escolares com melhores condições estas recebam uma educação com "maior qualidade pedagógica", assim como a convivialidade numa escola maior permite aos alunos "alargar incomensuravelmente os horizontes de sociabilidade", defende. Mas, alerta a investigadora, é necessário ter cuidado com o "gigantismo" da escola, que pode criar algumas formas de exclusão.

Nos estudos que o ICS tem feito, é comum observar que, por vezes, as crianças das aldeias são estigmatizadas pelas das vilas ou cidades para onde se deslocam. "Sofrem de forma silenciosa porque a dimensão das escolas e os adultos são menos sensíveis", justifica. Maria Manuel Vieira alerta ainda para a relação família-escola, que pode tornar-se mais distanciada. Os tempos que as crianças passam nos transportes escolares podem ser uma desvantagem, acrescenta. B.W.