Associação de bares do Porto acusa governo civil de ser hostil

Isabel Santos responde que o relacionamento com a associação é normal e rejeita declarações de António Fonseca

O presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP), António Fonseca, acusou ontem a governadora civil do Porto, Isabel Santos, de adoptar uma atitude hostil face à associação. Por isso, anunciou que vai emitir um comunicado sobre o assunto, na próxima terça-feira, e pedir uma reunião urgente ao ministro da Administração Interna.

"Não sei o que a senhora governadora tem contra a associação, mas nós vamos fazer um comunicado na próxima terça-feira e pedir uma reunião urgente ao ministro da Administração Interna, porque a associação considera que não tem um interlocutor do Governo no Porto e está a ser hostilizada pela senhora governadora civil", afirmou António Fonseca.

O responsável pela ABZHP pediu uma reunião com Isabel Santos, em Dezembro, para abordar assuntos de segurança, mas esta "não marcou logo a reunião" - garante -, acabando por fazê-lo mais tarde. "Porque tinha de nos ouvir por causa das indemnizações das cheias do ano anterior", justificou. Anteontem, realizou-se nova reunião pedida por António Fonseca, de novo para discutir questões de segurança, mas este garante que o encontro serviu mais para Isabel Santos o repreender por ter criticado, na SIC, a ausência da governadora, na Ribeira do Porto, durante as cheias do último fim-de-semana. "Foram cinco minutos sobre segurança e vinte e tal minutos por causa das declarações à SIC", descreveu.

Mas "a gota de água" que levou António Fonseca a optar por medidas concretas foi o facto de o Governo Civil do Porto ter decretado, também anteontem, o encerramento da pista de dança do bar Pin-Up, na Rua de Sá da Bandeira, por este não dispor de ligação à central de alarmes da PSP. O líder da ABZHP garante que este estabelecimento requereu a ligação em Dezembro de 2008.

Na resposta às acusações de António Fonseca, Isabel Santos garantiu que "não há qualquer problema de relacionamento entre a associação e o governo civil". "Nem percebo o que se está a passar", acrescentou. Quanto à reunião de Dezembro, a governadora civil declarou-se perplexa com a acusação de António Fonseca e garantiu: "Ele marcou a reunião e veio cá dizer o que tinha a dizer. A que propósito é que eu tinha que o ouvir sobre as cheias do ano passado?" Sobre a reunião de anteontem, Isabel Santos reconhece que ouviu a exposição de António Fonseca sobre um assunto de segurança, mas depois advertiu-o "que as declarações que fez a um canal de televisão não corresponderam à verdade". A governadora alega que, no cumprimento da lei, acompanhou "o evoluir da situação no Centro de Previsão e Prevenção de Cheias do Rio Douro" e contactou os vereadores da Protecção Civil das Câmaras de Gaia e do Porto, dando-lhes conta do evoluir da situação.

Quanto ao bar Pin-Up, Isabel Santos afirma que foi informada pela PSP do Porto de que este não tinha ligação à central de alarmes. Nesse sentido, diz ter cumprido a lei ao decretar o encerramento provisório da zona de dança. O bar até vai funcionar com dança, neste fim-de-semana, uma vez que já contratara a realização de um evento que envolveu um investimento considerável.