Debate foi polémico

José Sócrates exalta-se e pede "juizinho" a Paulo Portas

O primeiro-ministro, José Sócrates, censurou hoje o que considerou ser um "comportamento impróprio" do líder do CDS-PP, pedindo "juizinho" a Paulo Portas, o que motivou a indignação dos democratas-cristãos.

"Não tenha esse comportamento nervoso, é um comportamento impróprio. Eu digo-o aos meus filhos e digo-lhe a si, porte-se com juizinho. Não me interrompa, (...) o seu dever é ouvir", disse José Sócrates a Paulo Portas, motivando uma acesa troca de palavras.

O primeiro-ministro já tinha manifestado irritação com os apartes do líder do CDS-PP durante a sua intervenção em resposta à bancada do PS, criticando o "histerismo" da bancada dos populares. Da sua bancada, Portas insistia para que José Sócrates respondesse quanto custou a nacionalização do BPN, uma pergunta sua que tinha ficado sem resposta. "O presidente da CGD afirmou ontem que a Caixa já meteu três mil e quinhentos milhões de euros no BPN e que vai meter ainda mais. (...) Mantém a versão que a nacionalização não custou nada ao contribuinte?" tinha questionado Portas no início do debate.

Depois de pedir a Portas para "portar-se com juizinho", José Sócrates continuou, afirmando que "é pura demagogia" dizer que o Estado "meteu dinheiro num banco". "Uma coisa é prover liquidez a um banco. Outra coisa é pôr o dinheiro no capital do banco. São coisas distintas", afirmou o primeiro-ministro, que se queixou ao presidente da Assembleia da República de não ter condições para usar da palavra, devido "às interrupções" de Paulo Portas.

Manifestando indignação com as palavras de José Sócrates, o líder da bancada do CDS-PP, Pedro Mota Soares, afirmou que o primeiro-ministro "insulta os deputados". "Queria perguntar ao senhor presidente se acha admissível que um primeiro-ministro venha aqui dizer 'porte-se com juizinho'. Não admitimos essa linguagem ao primeiro-ministro", declarou.

Da bancada do Governo, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, saiu em defesa de José Sócrates, afirmando que "o primeiro-ministro estava a dar explicações à câmara e foi sistematicamente obstruído, não por um aparte, mas por uma atitude permanente de impedir o primeiro-ministro falar".