Amadou & Mariam

Welcome To Mali

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Amadou e Mariam são um dos maiores casos de sucesso da pop africana desta década. Com uma carreira musical partilhada desde os anos 80, ganharam projecção internacional com "Dimanche a Bamako", em boa parte graças à aproximação ao som Manu Chao, que produziu esse álbum de 2005. A popularidade cresceu com o tema que assinaram para o Mundial de 2006 e a digressão sequente, em especial os concertos em que actuaram como banda de suporte dos Scissor Sisters.

A associação com a banda "camp" nova-iorquina não lembra a ninguém, mas nada é normal neste casal, que se conheceu há 36 anos numa escola de cegos da capital do Mali. E o mais espantoso - porventura a principal causa do seu êxito - é que nunca foram uma banda autenticista, ou fiel aos sons das suas raízes. Mais uma repescagem dos sons rock/soul/funk, típicos dos anos 60 e 70, numa versão festiva e de garagem, à moda africana. "Welcome To Mali" é a reedição dessa fórmula única, revista e ampliada. Parte dos temas assenta nos "riffs" incendiários da guitarra de Amadou, ora numa toada mais blues, ora numa dinâmica mais funk, quase sempre carburados com órgão Farfisa e ritmos de dança. Alternam com canções de formato pop e batidas ligeiras, onde a voz ternurenta de Mariam contracena mais frequentemente com teclados electrónicos e percussão local. Novidades são as incursões no reggae, no afrobeat, no hip hop e mesmo na mestiçagem latina, que justificam a chamada de convidados como o multiinstrumentista francês Juan Rozoff, o guitarrista nigeriano Keziah Zones e o rapper somali-canadiano K’Naan. São variações que recriam sem subverter o guião, mas o novo álbum do casal mali também inclui uma mudança de rumo radical, por sinal logo no tema de abertura, "Sabati". Traz a produção do inglês Damon Albarn e introduz teclados de jogo de computador de ressonâncias orientais a combinar com o registo quase volátil de Amadou. Soa como uma pérola esquecida no catálogo mais bizarro dos Gorillaz, um suplemento de ousadia numa música já de si fora do baralho. Que nem por isso deixa de ser pop, imediata e vibrante, e “Welcome To Mali” recomenda-se tanto pelas ousadias como pela sua capacidade de fazer a festa.

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