"Etnocinema" de António Campos em retrospectiva no 3º Panorama

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No São Jorge, em Lisboa, entre 13 e 22 de Fevereiro.

No Panorama, os espectadores podem "não só ver, mas discutir cinema" português, sublinha António Loja Neves, programador do festival que decorre no Cinema São Jorge, em Lisboa, entre 13 e 22 de Fevereiro. Uma iniciativa conjunta da Associação pelo Documentário (Apordoc), da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) e da Câmara de Lisboa através da Videoteca Municipal, já vai na terceira edição e tem garantido o regresso para 2009, depois de ter realizado as suas primeiras duas edições com o intervalo de um ano.

O tributo do Panorama vai para um cineasta que retratava comunidades piscatórias, pastoris, emigrantes ou raianas, tudo no âmbito daquilo a que chamava "etnocinema".

António Campos, que morreu há uma década, "durante muito tempo esteve um pouco apagado", sobretudo no meio cinematográfico, diz Loja Neves. A sua filmografia, que vai do final da década de 1950 ao início da década de 1990, é trabalho de "alguém que raras vezes foi pago para fazer um filme - as suas obras-primas foram pagas do bolso dele", explica o programador do Panorama.

"A Festa" (1975), "A Almadraba Atuneira" (1961), "Falamos de Rio de Onor" (1974), "Gente da Praia da Vieira" (1975), "Histórias Selvagens" (1978), "Um Tesoiro" (1958) e "Vilarinho das Furnas" (1971) são os filmes de António Campos programados.

Na mostra estreiam-se "Conversa entre Duas Mulheres", de Ana Gil (dia 14), "Da Vida das Bonecas", de Neni Glock (dia 15), "O Parque", de Catarina Alves Costa (dia 16), "A Carta de Quinhamel", de Peter Anton Zoettl, e "Árvores", de Eva Ângelo (ambos dia 17), "Imorredoira", de Sílvia das Fadas e "Making of (Caixa de Música)", de Patrícia Leal (ambos dia 18). A última estreia, dia 20, é de "Cordão Verde", de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres.

Entre os 35 filmes seleccionados (de um total de 70) há Fernando Lopes ("O meu amigo Mike ao trabalho"), Jorge Silva Melo ("Álvaro Lapa: A literatura") ou Frederico Lobo e Pedro Pinho ("Bab Sebta", Grande Prémio Tobis do DocLisboa). Mas também há novos nomes e novos "filmes que arriscam" ao "romper com as fórmulas" diz Inês Sapeta Dias, também programadora. Os documentários a exibir pretendem ser "um retrato da produção portuguesa" em 2008, em formato mais liberto e arejado (menos títulos, mais debates do que nas duas primeiras edições) para "defender os filmes", diz Sapeta Dias.

Destaca ainda "Aquele Querido Mês de Agosto" (dia 19, às 21h30), de Miguel Gomes, premiado no DocLisboa e que fez bom circuito comercial e internacional.

Para além da exibição de filmes, o Panorama é um espaço de conversas e debates, este ano sobre a produção - "o lado mais invisível do cinema" - em Portugal. Dia 19, às 19h, debate-se "Como se faz o documentário português?" com a participação das produtoras Laranja Azul, Raiva, Andar Filmes e Filmes do Tejo, além da RTP2. No encerramento do Panorama, às 17h, Catarina Alves Costa, José Manuel Costa (Cinemateca Portuguesa) e Graça Castanheira (RTP2) ajudam os programadores da mostra a responder à pergunta "Que Panorama?". De permeio, todos os dias há sessões seguidas de conversas com realizadores, produtores e teóricos sobre os filmes exibidos.

O director municipal de Cultura, Francisco da Mota Veiga, classificou em conferência de imprensa o festival como "estratégico" para a autarquia. E o presidente do conselho de administração da EGEAC, Miguel Honrado, reiterou hoje que a empresa municipal considera a iniciativa "simbólica de uma política concentrada na cidade em prol do cinema".

O orçamento do 3º Panorama é de cerca de 50 mil euros, contribuindo cada um dos organizadores com 16 mil euros, valor que se mantém estável desde a primeira edição. Nesse ano, 7549 espectadores visitaram a mostra, tendo na edição seguinte (2008) sido visitados por 2354 pessoas.

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