Louçã diz que contribuintes não devem pagar prejuízos

BPN: BE apoia nacionalização mas quer que Governo exija contrapartidas

Louçã criticou o recente empréstimo de 200 milhões de euros da Caixa ao BPN
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Louçã criticou o recente empréstimo de 200 milhões de euros da Caixa ao BPN Daniel Rocha (arquivo)

O Bloco de Esquerda declarou-se hoje a favor da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) “desde que sejam os accionistas a pagar o prejuízo” e que o Governo exija contrapartidas destes apoios.

“Se o Governo nacionaliza o banco e se isso é necessário, o que nós queremos é garantir que nem um tostão dos impostos serve para pagar os prejuízos. Quem causou os prejuízos é que tem de vir pagá-los, que são os accionistas e os administradores”, declarou Francisco Louçã, numa primeira reacção à decisão anunciada esta tarde pelo ministro das Finanças.

Para o líder do BE, “a nacionalização [do BPN] é necessária para acabar com a aldrabice em que se transformou a gestão deste banco”, mas diz esperar que “nem um cêntimo dos impostos” seja usado para cobrir a dívida.

“As pessoas não pagam IRS para que seja usado para pagar os desvarios ou os crimes cometidos em ‘off-shores’ por alguns banqueiros irresponsáveis e criminosos”, acrescentou.

O líder do BE afirmou ainda que desde o início da crise financeira “sucedem-se as medidas confusas, sem uma estratégia de resposta do Governo”, defendendo que devem ser exigidas contrapartidas dos apoios dados aos bancos e que “a melhor medida para proteger a economia era obrigar [as instituições] a baixar os juros”.

Louçã lembrou que o BE tinha criticado a injecção de 200 milhões de euros no BPN pela Caixa Geral de Depósitos, numa referência ao empréstimo anunciado no mês passado, “porque o BPN estava falido e pôr dinheiro num banco falido é proteger os accionistas”.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou hoje em conferência de imprensa no final da reunião extraordinária do Conselho de Ministros que o Governo vai propor ao Parlamento a nacionalização do Banco Português de Negócios, que acumulou perdas no valor de 700 milhões de euros.

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