Detido na Bélgica antigo vice-presidente da RDC

a Depois de mais de um ano de exílio na sua residência da Quinta do Lago, no Algarve, o antigo vice-presidente congolês Jean-Pierre Bemba, derrotado pelo Presidente Joseph Kabila nas presidenciais de 2006, foi este fim-de-semana detido nos arredores de Bruxelas. Contra ele existia um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional (TPI), que o acusa de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.As atrocidades de que é acusado o proprietário do número 13 da Avenida Ayrton Senna, naquela urbanização da zona de Faro, teriam sido cometidas em 2002 e 2003 pelas suas forças de guerrilha na República Centro-Africana. O exílio português verificou-se na sequência de as autoridades da República Democrática do Congo (RDC) o terem acusado de alta traição.
O regime de Kabila disse que Bemba teria recusado desarmar a sua milícia, o Movimento de Libertação do Congo (MLC), depois de derrotado nas presidenciais, e que desencadeou actos de violência na capital, Kinshasa. Ele desmente, tendo-se refugiado na Embaixada da África do Sul e encetado negociações com o embaixador de Portugal, Alfredo Duarte Costa.
Uma vez que é casado com a portuguesa Liliana Teixeira, da qual tem cinco filhos, a primeira coisa de que o político e empresário se lembrou, quando se viu em apuros, foi procurar refúgio no Algarve, onde também teve propriedades o ex-Presidente Mobutu Sese Seko, grande amigo de seu pai.
Bemba foi um dos quatro vice-presidentes num Governo de transição que vigorou entre 2003 e 2006. Antes disso, em 2002, ajudara o então Presidente centro-africano, Ange-Félix Patassé, que foi primeiro-ministro do imperador Jean-Bédel Bokassa, a esmagar uma rebelião. Datam dessa época muitas das acusações de abusos dos direitos humanos que o levam agora a ter de responder perante o TPI.
Segundo a Reuters, existe agora o risco de a detenção do inimigo número um de Kabila levar a novos actos de agitação na RDC. Bemba tem muitos partidários na parte ocidental do país, entre as populações que falam lingala, desde a foz do Zaire até à província do Equador.
O Ministério da Justiça deu um prazo de oito dias para os juízes confirmarem a detenção verificada sábado à noite, numa residência dos subúrbios da capital belga. Depois disso, Bemba deverá ser transferido para a prisão de Scheveningen, na Holanda.