Primeiros embriões híbridos de humano e de vaca foram clonados no Reino Unido

a Investigadores da Universidade de Newcastle anunciaram ter clonado no laboratório os primeiros embriões híbridos de animal e de ser humano, abrindo o caminho para o estudo de doenças como o Alzheimer ou o Parkinson e para o desenvolvimento de futuros tratamentos contra elas.A equipa de Newcastle, liderada por Lyle Armstrong, é uma das duas no Reino Unido a ter obtido, em Janeiro passado, a autorização da Human Fertilisation and Embryo Authority (HFEA, a entidade reguladora competente) para proceder a este tipo de experiências.
Denominados "cíbridos", os embriões foram obtidos através da mesma técnica que gerou a ovelha Dolly, introduzindo ADN humano em ovócitos de vaca previamente esvaziados do seu núcleo. Os embriões têm 99,9 por cento de material genético humano e 0,1 por cento de material genético animal.
Nestes embriões - minúsculos aglomerados de células, mais pequenos que a cabeça de um alfinete, que só podem ser cultivados durante 14 dias no máximo e não podem ser implantados num ser vivo -, os cientistas esperam recolher as famosas células estaminais embrionárias humanas (CEE), que são células capazes de dar origem a qualquer um dos tecidos do organismo, para estudar uma série de graves doenças degenerativas do cérebro. A utilização de ovócitos de vaca permite simplesmente contornar o problema da penúria de ovócitos humanos disponíveis. Por uma questão de segurança para os doentes, não se põe a hipótese de as CEE obtidas a partir de embriões híbridos virem a ser directamente utilizadas em aplicações médicas.
Os embriões agora clonados viveram apenas três dias, mas espera-se que os próximos sobrevivam o suficiente para se conseguir colher neles as procuradas células estaminais. Os investigadores declararam em comunicado que se trata de um trabalho "em curso" e que uma vez totalmente validado irá ser publicado numa revista especializada após avaliação pelos pares. O anúncio surge apenas um mês antes de o Parlamento britânico começar a debater a nova lei de Embriologia e Fertilização Humana, que vai determinar se este tipo de investigação pode avançar. Apesar de a autoridade actual na matéria a ter autorizado, as eventuais alterações legislativas que daí decorrerem poderão pôr tudo em causa.
Para Colin Blakemore, ex-director do Medical Research Council, citado pelo Guardian, "estes resultados permitem esperar que esta abordagem forneça células embrionárias para a investigação sem o recurso a ovócitos humanos ou embriões humanos normais".
A Igreja católica, por seu lado, qualificou as experiências de "monstruosas". E, na semana passada, o primeiro-ministro, Gordon Brown, viu-se obrigado a autorizar que o voto na nova lei se faça segundo a consciência de cada deputado.
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dias foi o tempo que os embriões híbridos sobreviveram. São precisos seis dias para colher células estaminais
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