CP diz que não vão acabar os comboios directos das Beiras

A CP parece ter reconsiderado no propósito de acabar com os comboios Intercidades que ligam as cidades da Guarda e de Castelo Branco a Lisboa. Numa resposta escrita a questões colocadas pela agência Lusa, a CP refere que "não vai acabar com os comboios directos das Beiras [Beira Baixa e Beira Alta]". Questionada sobre se haverá quaisquer alterações no serviço praticado nos distritos da Guarda e de Castelo Branco, nomeadamente o Intercidades, a CP acrescenta que "o serviço Intercidades mantém-se, para ambos os destinos", sem adiantar mais pormenores.A posição da concessionária dos caminhos-de-ferro de portugueses foi conhecida ao final da tarde de ontem, depois de, durante o dia, se terem sucedido as reacções de protesto por parte dos diversos agentes políticos dos distritos de Castelo Branco e da Guarda. A governadora civil de Castelo Branco, Alzira Serrasqueiro, anunciou mesmo que vai pedir esclarecimentos ao Governo sobre os planos da CP para aquele distrito. "A Linha da Beira Baixa teve uma intervenção recente, como toda a gente sabe, com o primeiro-ministro a inaugurá-la", realçou Alzira Serrasqueiro.
Em 15 de Julho de 2005, José Sócrates inaugurou a electrificação da linha entre Castelo Branco e Lisboa, anunciando ligações directas com maior rapidez e conforto, uma vez que deixava de ser necessário trocar a locomotiva diesel por uma eléctrica no Entroncamento. Na mesma altura, garantiu que até 2007 o investimento iria continuar até à Covilhã e à Guarda, "para tornar a linha mais competitiva, capaz e moderna". "Acho as últimas notícias muito estranhas. Fiquei surpreendida", referiu a governadora civil.
Além da posição da representante do Governo no distrito de Castelo Branco, as reacções ao projecto foram igualmente contestadas por outros dirigentes e autarcas do PS, alguns dos quais sempre mantiveram uma relação de grande proximidade política com o primeiro-ministro.
A notícia de anteontem do PÚBLICO dava conta de que empresa estava a preparar a nova oferta para as Beiras numa óptica de redução de custos através de uma maior rentabilização da sua frota. O projecto estava a ser preparado pelo próprio presidente da CP, António Ramalho, que, contudo, não contava com o acordo de grande parte da estrutura técnica da empresa. O objectivo era libertar as carruagens com ar climatizado dos Intercidades para reforçar os serviços nas linhas do Norte e do Sul. Carlos Cipriano, Com Lusa