"Não sei se sou um verdadeiro autor de BD"

Foi "por acaso" que Georges Wolinski se tornou desenhador de imprensa, mas não tem dúvidas de que essa é hoje a sua profissão

Ganhou o Grande Prémio do Festival Internacional de Banda-Desenhada de Angoulême...Ah sim (risos), [e] este ano sou eu o presidente.
Como vai ser o seu Festival de Angoulême?
Nada de especial. Fiz o cartaz do festival e vou fazer uma grande exposição retrospectiva de toda a minha obra, pela primeira vez - sempre são 45 anos de desenhos, foi preciso chafurdar em centenas de papéis cheios de pó. Tinha vontade de fazer uma exposição dos melhores desenhadores de imprensa da Europa - mas é uma tarefa enorme, eu não posso fazer isso sozinho e acho que a organização é demasiado preguiçosa para se meter nisso.
O prémio provocou uma enorme discussão, com muita gente a pôr em causa a sua condição de "verdadeiro autor de BD". Incomodou-o?
Eu próprio não sei se sou um verdadeiro autor de BD. Comecei pela banda-desenhada (nos anos 60 fiz La Reine des Pommes, a partir de um livro de Chester Heims), mas depois tornei-me desenhador de imprensa por acaso.
Assume-se sobretudo como desenhador de imprensa, é isso?
Sem dúvida. Recentemente, publiquei uma BD, Une Vie Compliquée, que me exigiu um ano de trabalho. Já tinha feito bandas-desenhadas mas o processo foi mais rápido: Georges Le Tueur, por exemplo. Desta vez, foi verdadeiramente um trabalho de autor de banda-desenhada, com argumento, com cor, com régua. Não posso dizer que esteja a ser um grande sucesso: vende-se razoavelmente.