Eixo transversal do vale do Lima ganha forma com a abertura do IC28

O Primeiro-Ministro vai inaugurar hoje ao início da tarde o novo troço do Itinerário Complementar nº 28 (IC 28) entre Ponte de Lima e Ponte da Barca, que acrescenta um "traço" ao chamado Eixo Transversal do vale do Lima, que há décadas é reclamado na região. Com a abertura ao tráfego do IC28/ Sublanço Nó com a EN 202 - Ponte da Barca, ficará a faltar ao desenho do eixo viário de atravessamento daquele vale a ligação do Itinerário Principal nº 9 (IP 9) a Ponte de Lima. Um primeiro troço desta via com 9,5 quilómetros foi aberto em Dezembro de 2001 entre Viana do Castelo e Nogueira, e, actualmente, encontram-se em construção os troços que faltam entre Nogueira/Estorãos e Estorãos/Ponte de Lima, estando a sua conclusão prevista para dentro de um ano e meio. "Em Agosto de 2005 a viagem entre Arcos de Valdevez e Viana do Castelo vai poder fazer-se em 25 minutos" declarou ontem ao PÚBLICO o líder da Associação de Municípios do Vale do Lima (Valima) e autarca de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo. A concretização deste eixo eransversal, com ligações ao Porto e à Galiza (pela A3), é considerada fundamental pela Valima para o desenvolvimento da região, tanto que consta como prioritária no Plano Estratégico (PE) traçado pela associação de municípios aquando da sua constituição em 1994. A conclusão do IC 28 até Ponte da Barca e o bom ritmo a que decorrem as obras do IP9 até Ponte de Lima fazem com que Francisco Araújo considere que o PE "está a ser implementado de uma forma consistente". No entanto, nem todo traçado do futuro eixo transversal parece estar garantido. É que se o chamado "negócio do queijo", protagonizado pelo presidente da câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, aquando da votação do Orçamento de Estado (OE) para 2001, permitiu dar um "empurrão" às obras do IP9 e do IC28, o mesmo não se pode dizer em relação ao prolongamento deste último até à fronteira da Madalena, no Lindoso. Problemas ambientais relacionados com o facto de o seu traçado a partir de Ponte da Barca atravessar o Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) estão há muito a entravar a sua concretização. Os autarcas do vale do Lima há muito que defendem a criação de uma ligação rápida a Ourense, na Galiza, mas esta só poderá ser uma realidade com o prolongamento do IC28 até à fronteira. Esta é uma das questões com que Durão Barroso deverá ser confrontado hoje pelos autarcas da região.A ligação do IC28 à margem esquerda do rio Lima é outro dos pontos de interrogação que ainda prevalecem quando o assunto é o eixo transversal. A construção de uma ponte entre Padreiro e Lavradas, em Ponte da Barca foi outra das "benesses" supostamente resultantes do "orçamento do queijo" de Campelo, mas apenas está adjudicada a elaboração do projecto, facto que remonta ao tempo do governo do PS. A obra consta do PIDDAC 2004, mas ainda assim não são conhecidos os prazos para a sua execução. Antes da abartura da nova via, o primeiro-ministro vai estar em Lanheses, Viana do Castelo, onde inaugura o Parque Industrial local, instalado numa zona com acesso directo garantido a partir do Itinerário Principal nº 9 (Viana do Castelo-Ponte de Lima). A cerimónia tem carácter meramente simbólico, já que o pólo não dispõe ainda de qualquer empresa instalada. O arranque da sua actividade deverá, no entanto, acontecer a breve trecho, uma vez que quatro empresas tem já contratos-promessa firmados para ocupar ali uma área de cerca de 41 mil metros quadrados. A câmara municipal de Viana garante estarem a decorrer negociações para a instalação de outras sete unidades industriais, sendo duas delas de capital estrangeiro. Com uma área de aproximadamente 100 mil metros quadrados, o parque integra a "Rede de Parques e Pólos Empresariais do Vale do Lima", devendo em breve ser ampliado para 200 mil metros quadrados. Após a revisão do Plano Director Municipal, a sua área deverá ser novamente alargada até atingir os 400 mil metros quadrados. 12 quilómetros de extensão56 milhões de euros de investimento23 restabelecimentos 11 passagens superiores 2 passagens inferiores 2 passagens agrícolasDurão Barroso encontra-se ao almoço com aos autarcas do Minho-LimaAfastamento do PRASD e corte nas previsões do investimento de Estado para a região devem ser analisados A questão da exclusão da região do Programa de Recuperação das Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD) é uma da várias questões com que o primeiro-ministro deverá ser hoje confrontado pelos autarcas do distrito de Viana do Castelo, assim como as consequências do corte de mais de 30 milhões de euros nos investimentos previstos no Orçamento de Estado (OE) 2004 para a região. Estas questões podem mesmo ser debatidas durante o almoço que tem lugae em Arcos de Valdevez, esperando os autarcas que Durão Barroso traga na manga um qualquer trunfo para responder às suas preocupações. Além dos autarcas do distrito, o repasto conta copm a participação de mais cerca de cinco centenas de convidados. Independentemente das novidades que Barroso possa ter preparadas para hoje, o certo é que deverá, pelo menos, concordar com as razões que têm sido apontadas pelos autarcas para manifestarem a sua discordância face à discriminação do Minho-Lima no estudo efectuado por Daniel Bessa. A apresentação das conclusões do PRASD gerou na região um amplo movimento de contestação e decontentamento, levando mesmo a que se tivessem juntado todos os autarcas das duas associações de municípios do distrito, que até ali permaneciam de costas voltadas. Reunidos em Ponte de Lima, os dez autarcas decidiram solicitar uma audiência ao primeiro-ministro para debater o assunto. Apesar das garantias então manifestadas pelo presidente da câmara de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, que também preside à distrital do PSD, o certo é que esse encontro nunca chegou a ter data marcada, e pode até ficar ultrapassado depois do al,moço de hoje.CXPS acusa Governo de "discriminar" o distrito de VianaO PS acusou ontem o Governo PSD de estar a colocar o distrito de Viana do Castelo numa situação "discriminatória" face ao todo nacional. Na base da acusação expressa num comunicado emitido pela Federação Distrital do partido, na véspera da deslocação do Primeiro-Ministro ao Alto-Minho, estão as "restrições" do Orçamento de Estado (OE) 2004 em termos de investimentos para a região e a exclusão do PRASD (Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos). "É mais um orçamento restritivo, sem estímulo ao investimento privado, sem preocupações de saneamento do desemprego galopante e redutor do investimento público" consideram os socialistas, aludindo à "quebra de 30,5 milhões de euros - desce 28,1 por cento em relação a 2003" verificada no PIDDAC para o próximo ano, "o que coloca Viana do Castelo no último lugar da tabela, ou melhor, em primeiro nos que mais descem". Relativamente ao facto de o distrito não ter sido incluído no PRASD, o PS considera que esta situação coloca Viana do Castelo "num estádio de completa estagnação".