Trocas de tiros e fogo de morteiros no centro de Bagdad

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Os confrontos em Bagdad prosseguem Ramzi Haidar/AFP

O centro de Bagdad foi esta tarde palco de trocas de tiros e fogo de morteiros, enquanto explosões constantes se registavam nos arredores este e sudoeste da capital iraquiana.

Segundo a correspondente da Reuters, houve "uma mudança" nas operações militares. "Já não se trata de bombardeamentos aéreos, mas de confrontos com morteiros e defesas antiaéreas", contou.

Habitantes ouvidos pela Reuters sentem-se em perigo e consideram que a batalha de Bagdad começou agora. Algumas lojas abriram esta manhã, mas já voltaram a fechar portas, isto apesar de domingo ser um dia normal de trabalho para os iraquianos. As ruas estão desertas — à excepção da presença dos militares iraquianos e dos milicianos do Partido Baas (no poder) — e a temperatura atinge já os 35 graus. A electricidade tem funcionado apenas poucas horas por dia e as linhas telefónicas estão cortadas.

Milhares de habitantes de Bagdad abandonaram a cidade nos últimos dias e continuam a fazê-lo, temendo uma batalha sangrenta entre as forças da coligação e os combatentes iraquianos.

As últimas informações dão conta de movimentações dos marines americanos na zona este e sudoeste da cidade, que continua a ser sobrevoada em contínuo por aparelhos militares das forças da coligação.

As tropas americanas afirmam controlar a maioria das entradas de Bagdad, cidade com cinco milhões de habitantes. "Estamos quase lá", indicou o coronel Will Grimsley, da 3ª Divisão de Infantaria norte-americana, referindo-se ao centro de Bagdad.

Segundo o coronel John Peabody, comandante da Brigada de Engenharia da 3ª Divisão de Infantaria, no Aeroporto Internacional de Saddam Hussein (que as forças aliadas rebaptizaram de Aeroporto Internacional de Bagdad) já se encontram sete mil soldados, que preparam as próximas ofensivas à capital.

O ministro da Informação iraquiano, Muhammad Sayd al-Sahaf, continua a negar a tomada do aeroporto, afirmando que as tropas da Guarda Republica "estão a cercar o inimigo" no local. "Destruímos seis tanques e danificámos dez outros e matámos 50 elementos das forças inimigas", avançou, em conferência de imprensa.

Por seu lado, o secretário-adjunto da Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, sublinhou que o regime iraquiano continua a controlar "largos sectores de Bagdad".

Em declarações à televisão Fox, o responsável considerou, por outro lado, que apenas duas semanas passadas do início da ofensiva militar, já foram conseguidos "enormes progressos". "As nossas tropas estão no exterior de Bagdad e controlam o aeroporto internacional de Bagdad", precisou Wolfowitz, acrescentando que "a Guarda Republicana sofreu enormes perdas".

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