"Manta de retalhos" na A8

Estrada abatida em vários locais, constantes falhas da pintura da sinalização horizontal, remendos no alcatrão por todo o lado, reflectores em falta, ausência em grande parte da via de pintura protuberante - traço lateral que avisa as viaturas que estão a sair da estrada - e curvas "apertadas" é o cenário para quem circula na auto-estrada que liga Lisboa às Caldas da Rainha. A empresa concessionária reconhece os defeitos e afirma que está a accionar as garantias de obra.

O primeiro troço da A8, também conhecida como Auto-estrada do Oeste, foi inaugurado em 1991, mas aquela via, em vários locais, está em más condições e com falta de conservação - apesar da sua utilização ser (bem) paga. O piso, cheio de remendos, assemelha-se a uma "manta de retalhos".A empresa concessionária da A8 e responsável pela sua exploração, conservação e manutenção reconhece a existência de muitas das deficiências na via detectadas durante a reportagem e garante que "vai ser corrigido o que está mal".Na Auto-estrada nº8 os assentamentos de estrada são frequentes ao longo da via, transmitindo aos ocupantes das viaturas que circulam naquela via a sensação que estão a viajar num barco, mas em dia de mar agitado. A este nível, esta reportagem dá particular realce à existência de uma grande lomba ao quilómetro 22, que "obriga" qualquer viatura, a cerca de 100 quilómetros por hora de velocidade, a dar um salto. Presume-se que em grandes velocidades um condutor (menos expedito) tenha dificuldades em controlar a viatura - depois de voar uns metros...Por outro lado, para quem sai de Lisboa em direcção às Caldas da Rainha, a partir do nó que dá acesso à Malveira e a Mafra, a chamada pintura protuberante - pintura lateral com saliências que produz ruído quando os pneus em movimento a pisam - deixa de existir e não aparece mais. Na prática, depois de passarem por aquele nó viário, os automobilistas correm mais riscos se adormeceram ao volante. Outra deficiência relevante é o "desaparecimento" (ou a não colocação) de alguns reflectores.Assinale-se também que, durante a viagem pela auto-estrada, foram visíveis algumas intervenções em curso. No dia 28 de Junho, algumas centenas de metros depois de se visualizar uma placa que anunciava o início de obras, um trabalhador procedia ao corte de ervas mais crescidas e só se podia circular numa única faixa durante mais de três quilómetros - aparentemente devido àquele trabalho de jardinagem. Cerca de uma hora depois, o referido funcionário continuava sozinho a trabalhar...Manuela Carabina, responsável pelas relações públicas da Auto-estradas do Atlântico - empresa concessionária da A8 e responsável pela sua exploração, conservação e manutenção -, em declarações ao PÚBLICO reconheceu a existência de muitas das deficiências na via detectadas durante a reportagem e sublinhou que "vai ser corrigido o que está mal". Segundo aquela responsável, uma das razões para alguns dos problemas está relacionada com o facto de "a A8 ter sido construída por entidades diferentes", acrescentando que a Auto-estradas do Atlântico "só surgiu no final de 1998". Ou seja, aquela empresa "herdou uma infra-estrutura que já existia. Durante o ano passado detectámos situações que estão a ser ou vão ser objecto de reparação", garantiu a porta-voz daquela empresa. Neste momento, "ainda está em vigor a garantia em relação ao construtor e por isso todas as reparações e deficiências têm que corrigidas pelo dono da obra". Por outro lado, "enquanto não se esgotar o período de garantia em relação à construção da auto-estrada, serão os donos da obra a corrigir os defeitos", afirmou Manuela Carabina, acrescentando que "só depois [de esgotado aquele período] as correcções serão efectuadas pela Auto-estradas do Atlântico".Questionada sobre as razões que justificam o actual estado de conservação daquela infra-estrutura, Manuela Carabina considera ter sido prejudicial o facto de ter sido construída por fases, por diferentes entidades e com finalidades diferentes das actuais. A auto-estrada entre Loures e Malveira foi aberta ao trânsito "em 1991 sob a responsabilidade da Junta Autónoma de Estradas, não se prevendo inicialmente que viesse a ser uma auto-estrada", explicou. Depois, "em 1995 foi aberto o troço Malveira-Torres Vedras sob responsabilidade da Brisa e mais tarde foi aberto ao trânsito o lanço Torres Vedras-Bombarral, novamente sob responsabilidade da Junta Autónoma de Estradas", sublinhando aquela responsável que "também não estava inicialmente previsto que fosse uma auto-estrada".Manuela Carabina afirmou que não foi ainda possível efectuar todas as obras necessárias mas salientou que já foram reparados e substituídos todos os sistemas de drenagem das águas pluviais, reparados e limpos os taludes, substituídos os guardas de segurança ["rails"], pintado de novo o lanço Loures-Malveira e tapadas algumas fissuras e assentamentos de estrada.Em relação aos assentamentos ainda existentes explicou que, como a solução técnica adoptada foi o recurso ao pavimento rígido em betão, "é complexo e moroso fazer intervenções".Por sua vez, a falta de alguns reflectores justifica-se porque, neste momento, está-se a proceder à sua substituição, referiu a responsável da Auto-estradas do Atlântico.Embora também reconheça a existência de curvas "apertadas" tendo em linha de conta que se trata de uma auto-estrada, Manuela Carabina afirmou que a sua existência "tem a ver com o projecto e a sua construção", revelando que a empresa concessionária "não vai alterar as curvas 'apertadas'".Durante a reportagem, houve um aspecto positivo digno de registo: a simpatia dos portageiros. Mas devido ao preço que se paga pelo uso de uma via em tão mau estado não é fácil qualquer automobilista retribuir com um sorriso.