O número que marcou foi alterado

São mais de oito milhões os números de telefone que vão mudar às zero horas da noite de hoje, numa operação que vai decorrer em simultâneo em todo o país e em todas as redes, fixa e móveis. O novo Plano Nacional de Numeração (PNN) está a ser rigorosamente preparado há mais de seis meses, e os objectivos eram, à partida, muito ambiciosos: efectuar a mudança sem sequer afectar as chamadas em curso nesse momento. Está previsto que assim seja, mas os operadores - PT, TMN, Telecel e Optimus - admitem poder vir a precisar de alguns minutos de "silêncio" nas suas redes para activar as bases de dados com os novos números de telefone. O pior dos cenários prevê que esse período de ausência de comunicações venha a durar 15 ou 20 minutos.

Amanhã de manhã, se quiser ligar para casa de um familiar ou de um amigo, convém não esquecer que, algures um pouco depois da meia-noite, aconteceu uma mudança profunda nos números de telefone. As combinações que memorizámos ou que temos na agenda passaram à história. As regras passam a ser outras, e um dos elementos que não convém esquecer é que, no novo plano de numeração, os números de todos os serviços - fixo, móvel, "paging", acesso à Internet e chamadas de valor acrescentado - têm sempre nove dígitos.Para que isto aconteça, por exemplo, na rede fixa, o indicativo - com o 0 (zero) substituído pelo 2 (dois) - passa a estar incorporado no número, o que implica que, mesmo nas chamadas locais, é necessário recorrer a ele para efectuar a ligação. Se alguém pretender ligar para o assinante 123456 da rede de Braga tem de discar o 253.123456. Nos casos de Lisboa e Porto os indicativos passam a ser 21 e 22, respectivamente, mas como os actuais números destas zonas já têm todos sete dígitos (ao contrário dos restantes, que têm seis), chega-se também a uma combinação de nove algarismos.Nas redes móveis, a obrigatoriedade de discar sempre o indicativo - mesmo quando se está a ligar para outro cliente do mesmo operador - também surge como regra. A grande mudança neste segmento é que os quatro dígitos que compunham a entrada de cada uma das redes (0931, 0933 e 0936) reduzem-se para dois algarismos - caiem o 0 e o 3 que são comuns à Telecel, à Optimus e à TMN. Neste caso, se pretendemos ligar para o assinante 1234567 da Optimus, teremos que discar 93.1234567. A regra dos nove dígitos mantém-se, porque as combinações em uso são já constituídas por sete algarismos. Filosofia semelhante foi adoptada para os restantes serviços de telecomunicações disponíveis no mercado. Na ligação à Internet cai o zero do indicativo 067 e acrescentam-se três zeros aos quatro algarismos que configuram o número actual; nos serviços de valor acrescentado (0641) e nas linhas "verdes" (0800) cai também o zero inicial dos indicativos, mantendo-se os restantes seis números do destino da chamada.A decisão de avançar para um novo plano de numeração foi ditada por um conjunto de razões que têm a ver com a necessidade de refrescar o sistema e torná-lo operacionalmente capaz de suportar as mudanças que estão a acontecer ou que vão acontecer no mercado, nomeadamente a liberalização do telefone fixo (ver texto nestas páginas). Ao contrário do anterior, que estava praticamente esgotado, o novo plano de numeração tem um "potencial" de vida que poderá chegar aos 30 anos. Por outro lado, era necessário criar uma plataforma de igualdade para os novos operadores que vão funcionar na rede fixa. Com este plano, serão atribuídos aos assinantes dos novos operadores números em tudo idênticos aos que têm os clientes da Portugal Telecom.O novo plano permite também que no futuro próximo, talvez já em 2000, um cliente de rede fixa possa mudar de operador sem ver o seu número de telefone alterado, o que lhe evita uma mão cheia de contactos para dar conta da alteração. Chama-se a isto "portabilidade" do número.Os diversos operadores de serviços de telecomunicações têm vindo a preparar cuidadosamente este processo de alteração do plano de numeração telefónica, porque também vai mexer com o sistemas que têm instalados. No fundamental, a operação logística - que só no caso da Portugal Telecom custa cerca de cinco milhões de contos - consiste em substituir a base de dados actual por uma nova com a numeração que entra em vigor. Técnicos contactados pelo PÚBLICO garantem que se a operação correr bem vai demorar o tempo de um clique. Mas se, por acaso, o sistema não reconhecer de imediato a nova base de dados, há que o colocar de novo em marcha, operação que poderá demorar entre 15 a 20 minutos.Como tudo isto acontece às zero horas de amanhã, em período de tráfego muito baixo, as perturbações serão mínimas. Mesmo assim, como os números de emergências se mantêm - o 112, 115 e 117 permanecem iguais - não há o perigo de se encontrar um vazio de comunicações caso a operação de transferência corra mal e a protecção civil tem preparado um plano de contingência para responder a situações inesperadas.