Literacia mediática

TRUE: o projeto do PÚBLICO que ajudará os alunos a criarem jornais digitais na escola

A iniciativa que junta o PÚBLICO, a Universidade de Aveiro e a MOG criou uma ferramenta para ajudar alunos entre o 7.º e o 12.º ano a criarem jornais escolares em formato digital. O objetivo é combater a desinformação e apresentar o mundo do jornalismo aos mais pequenos. O TRUE deverá chegar às escolas até ao final do ano.

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A desinformação junto dos mais novos é uma preocupação do jornal Rui Gaudêncio

De pequenino se combate a desinformação. Não rima, mas é o mote do TRUE, o projeto que une o PÚBLICO à Universidade de Aveiro e à empresa de tecnologias digitais MOG. A iniciativa abraça a responsabilidade de levar o jornalismo digital até às escolas e de incentivar os mais novos a construírem, eles próprios, notícias e jornais online. O projeto é dirigido a alunos do 7.º ao 12.º ano de todo o país.

O diretor-adjunto do PÚBLICO David Pontes explica que o jornal tem, desde a sua fundação, uma relação estreita com o meio escolar, como se comprova pelo projeto PÚBLICO na Escola e pela organização do Concurso Nacional de Jornais Escolares. Sublinha, com curiosidade, que ao contrário do que se poderia esperar das novas gerações, muitos dos jornais feitos em escolas são impressos em papel. Assim, destaca o espaço que ainda existe por ocupar no que toca ao jornalismo escolar: o online.

Numa lógica de aprender fazendo, o TRUE pretende fornecer às escolas uma ferramenta digital gratuita que facilita aos jovens jornalistas tanto a seleção de informação como a correção ortográfica dos artigos. A responsabilidade de construir e desenvolver os instrumentos necessários coube ao centro de investigação DigiMedia da Universidade de Aveiro (UA). Telmo Silva, membro daquele centro de investigação e professor da UA, explica o funcionamento: “Permite que os mais novos, quando estiverem a escrever as suas notícias, tenham o apoio de notícias relacionadas com aquilo que estão a escrever. A plataforma não só faz correção ortográfica, mas também dá apontadores para notícias que alguém já tenha escrito sobre a mesma temática.” Os artigos sugeridos são então apresentados segundo “um ranking da credibilidade das fontes de onde vêm”.

O diretor-adjunto do PÚBLICO acrescenta que o apoio ao nível da contextualização das notícias vem colmatar uma falha que se observa frequentemente nos mais novos: “As dificuldades que temos identificado no fenómeno de desinformação dos jovens é a falta de contexto, de história. De perceber que isto não começou hoje, que [uma notícia] não é um título, é uma coisa mais longa.” David Pontes afirma ainda ser imperativo não deixar que os jovens se “afoguem nesse universo de fake news, redes sociais e polarização”.

O PÚBLICO ficará responsável por acompanhar a construção dos vários jornais escolares, apesar de, com o grande ritmo de trabalho, ser difícil levar jornalistas até às escolas com frequência. No horizonte está também um repositório dos vários jornais escolares que existam ou vão sendo criados.

"Geração com menos ferramentas cívicas"

Sobre a relevância do projeto, David Pontes alerta para o facto de haver “muita malta nova que rejeita informação jornalística pela ansiedade que lhe provoca”, o que levará a que se construa uma “geração com menos ferramentas cívicas”. Telmo Silva acrescenta ser importante devolver aos jovens o interesse pela escrita e pela leitura. “Vamos tentar motivar os mais novos a terem mais participação neste tipo de jornais, na perspetiva de estarem a escrever e poderem usufruir do que os outros escrevem”, diz.

Segundo o diretor-adjunto do PÚBLICO, o projeto TRUE deverá estar “completamente cá fora” até ao final do ano. A equipa responsável pela criação da ferramenta de apoio à redação conta ter a solução “desenvolvida ou em fase muito avançada de desenvolvimento até ao início de setembro”. Passado este período, a ferramenta entra em fase de experimentação do lado do utilizador.

Quando estiver 100% operacional, serão as escolas que terão de dar o primeiro passo para usufruir do projeto. David Pontes esclarece: “Não vamos impingir isto a ninguém, as escolas é que têm de se inscrever. Estamos convencidos que depois, com toda a experiência que o PÚBLICO na Escola tem, vai ser fácil encontrar gente que queira” recorrer a esta ajuda.