Rebecca Solnit: “O optimismo é igual ao pessimismo, ao catastrofismo e ao cinismo”
A escritora Rebecca Solnit, uma das mais conhecidas vozes progressistas dos Estados Unidos, acredita no poder das histórias e da História para alimentar a esperança em tempos de desânimo.
Nas vésperas das eleições intercalares nos Estados Unidos, a ensaísta californiana reforça uma ideia que tem marcado a sua obra: o futuro não está escrito.
“Vejo o optimismo como sendo exactamente igual ao pessimismo, ao catastrofismo e ao cinismo. Todos eles partem do princípio de que sabem o que vai acontecer e isentam-se da responsabilidade de participar [na construção do futuro]”, diz a autora, em entrevista ao Ípsilon.
O que é preciso, defende, é esperança. E a esperança, segundo Solnit, é “um compromisso com o futuro, um compromisso de não desistir, de tentar encontrar as possibilidades e torná-las mais viáveis.”
A entrevista parte do livro Não Há Caminho a Direito Que Te Leve até lá, uma colecção de ensaios agora publicada em Portugal pela Quetzal.
Rebecca Solnit critica a mundivisão das empresas de tecnologia, muitas delas sediadas em São Francisco, onde vive. “[Representam] aquilo a que chamo os quatro cavaleiros do apocalipse: eficiência, conveniência, facilidade e rentabilidade”. E propõe um caminho alternativo: “o prazer do incalculável”.
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