Os prémios Nobel estão a perder credibilidade?
Um gráfico publicado pela revista Nature revela que, em 125 anos de prémios Nobel científicos, apenas 27 das mais de 600 distinções foram atribuídas a mulheres. Em 2026, nenhuma mulher foi premiada nas áreas de Medicina, Física e Química.
A ausência não reflecte falta de mérito, mas sim desigualdades históricas no acesso a oportunidades de investigação, financiamento, liderança e visibilidade, escreve a professora e antiga ministra da Ciência Elvira Fortunato num ensaio exclusivo no PÚBLICO. A Nature apela à diversificação dos processos de nomeação, alertando que o problema começa muito antes da cerimónia de entrega dos prémios.
Não está em causa o mérito dos laureados, mas a abrangência dos mecanismos que identificam a excelência. Uma meritocracia genuína exige que o processo de selecção não exclua sistematicamente parte do talento disponível.
A questão tem implicações culturais: os Nobel influenciam livros escolares, conferências e o imaginário colectivo. Quando os distinguidos são quase sempre homens, transmite-se, involuntariamente, a ideia de que a grande ciência tem sobretudo rosto masculino.
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