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Nelson Garrido

Lee Ufan em Serralves: o artista que gosta de não pintar e não fazer

A Fundação de Serralves, no Porto, inaugura esta sexta-feira a maior exposição individual em Portugal do artista sul-coreano Lee Ufan, figura central do movimento Mono-ha, surgido no Japão nos anos 60 e 70.

Com curadoria de Philippe Vergne, Fragmentos do Infinito apresenta, até Março de 2027, seis instalações escultóricas e cinco pinturas na Casa de Serralves e no Parque, incluindo uma pintura mural site-specific executada por Lee Ufan.

Uma das surpresas em Serralves será uma sala cujo chão foi totalmente coberto por placas de xisto de vários tamanhos, numa reinterpretação de uma instalação apresentada em França há quase dez anos. "É algo muito primordial e primitivo, onde sentimos o princípio da humanidade. É uma resposta natural e intemporal ao mundo demasiado perfeito da inteligência artificial", explicou o artista ao Ípsilon.

A sua obra explora a relação entre o feito e o não feito, entre pedra e aço, entre pintura e vazio. “Não é sobre o próprio objecto. O objecto é só um gatilho para olhar para o espaço em volta, para o tempo que o envolvem. Eu quero que as pessoas olhem para isso quando vêem o meu trabalho (...)”.

O Ípsilon esteve com Ufan, com 90 anos, em Serralves e no Japão — na sua casa-estúdio, em Kamakura, e no museu que tem o seu nome, na ilha de Naoshima.

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