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Rui Gaudêncio

Num mundo inundado em dívida, que OE poderemos ter?

O Governo português apresenta nesta quinta-feira a proposta de Orçamento do Estado para 2027, num contexto de tensão nos mercados obrigacionistas internacionais, com taxas de juro da dívida soberana a atingir máximos de duas décadas em países como os Estados Unidos e a França.

  • Portugal não está imune ao contágio: as taxas de juro da dívida a 10 anos superaram os 4%, pressionadas pela inflação gerada pela guerra no Irão, pelo endividamento crescente de vários Estados e pela concorrência por crédito de grandes empresas tecnológicas ligadas à inteligência artificial.
  • O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, indicou aos grupos parlamentares que o OE2027 inscreverá um excedente entre 0,1% e 0,2%, mantendo a trajectória de saldos positivos consecutivos iniciada há quatro anos.
  • Economistas ouvidos pelo PÚBLICO alertam que uma política orçamental demasiado restritiva pode ser tão prejudicial quanto um défice: sem medidas de resposta à inflação e sem investimento público após o fim do PRR, a economia arrisca uma queda da actividade maior do que a prevista.
  • A despesa com juros da dívida deverá subir de 1,9% do PIB em 2026 para 2,1% em 2027, segundo o Conselho das Finanças Públicas, embora o impacto seja ainda limitado pela maturidade elevada da dívida pública portuguesa, que amorece a transmissão das taxas de mercado ao custo efectivo do financiamento do Estado.
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