Turquia

Na Turquia, os pombos são uma paixão e um negócio

Reuters/UMIT BEKTAS
Fotogaleria
Reuters/UMIT BEKTAS

A noite cai e as ruas do velho bazar da cidade turca de Sanliurfa começam a ficar vazias. Excepto uma pequena rua, para onde se encaminha uma corrente de homens carregando caixas que transportam pombos. É nessa rua, num recanto com três casas de chá, que se realizam os conhecidos leilões dedicados a criadores de pombos. “Uma vez vendi dois pombos por 35 mil liras turcas (cerca de 8600 euros)”, revela o leiloeiro Immam Dildas. “É uma paixão, um passatempo que não consegues abandonar. Sou conhecido por vender o frigorífico e as pulseiras de ouro da minha mulher para pagar os pombos”, acrescenta.

Os pombos não são uma moda passageira por aqui. É um passatempo que tem ocupado gerações de turcos desta região e também de muitos sírios que vivem em localidades próximas da fronteira com a Turquia. Enquanto os homens bebem chá e fumam, Dildas vai agarrando nas aves e exibindo-as. A partir do preço base, os compradores vão gritando a sua licitação. O preço dos pombos pode variar entre as 30 liras turcas e as 3500 (cerca de 7 e 870 euros, respectivamente), num país onde o salário mínimo está situado nas 1400 liras mensais (aproximadamente 350 euros). Para captar a atenção dos compradores e aumentar o seu valor, alguns pássaros têm ornamentos de prata nas penas ou nas patas.

Situada a apenas 50 km da Síria, que enfrenta há vários anos uma guerra civil, a cidade de Sanliurfa também tem de lidar com os seus conflitos regionais, marcados pela crispação entre as forças governamentais e os insurgentes curdos. No entanto, o comércio que rodeia os pombos e os seus criadores tem conseguido manter-se. No início do conflito sírio, com a chegada de muitos sírios fugidos da guerra e que trouxeram consigo pombos, “os preços caíram devido ao excesso de oferta”, explica Ismail Ozbek, um criado de 23 anos. “Mas à medida que a guerra piorou e deixaram de trazer pombos da Síria, os preços aumentaram de novo”, explica. Ozbek guarda em armazéns equipados com alarmes e um circuito fechado de televigilância cerca de 200 pombos, que no total valem 50 mil liras turcas (mais de 12 mil euros).

Quando o leilão termina e a noite já segue avançada, o leiloeiro Dildas faz as contas. Conseguiu um total de 13 mil liras (3200 euros) mas a sua comissão é de 10%. Resit Guzel é um dos columbófilos que fazem com que este negócio se mantenha vibrante. Ao final do dia liberta os seus pássaros, tal como a maioria dos criadores, para que estendam as asas e voem, até regressarem a casa novamente. É uma imagem habitual no céu da cidade, quando centenas de pombos percorrem os céus enquanto o sol se vai pondo. “Os pássaros são meus amigos. Dão-me paz”, confessa Guzel, 55 anos. Tem 70 pássaros, que diz tratar com alimentação de qualidade e vitaminas. Para isso gasta cerca de 5 liras por dia (1,20 euros), que diz não ser muito. “Mesmo que custasse mais não me importava”, afirma. “Têm sido o meu passatempo nos últimos 40 anos... Só iam compreender se também tivessem pombos.”

Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS
Reuters/UMIT BEKTAS