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1ª sessão: Bonzos, canhotos e a geringonça de 1925

1 de Outubro

Rui Tavares

Em Novembro de 1924, os operários de Lisboa saíram à rua para se despedirem de Fernão Botto Machado, um dos poucos deputados socialistas que sentiam ter defendido a sua causa logo no início da Iª República. Poucos dias depois, tomou posse o «governo canhoto», de aliança entre o centro esquerda e a esquerda radical, uma geringonça de há cem anos, com José Domingues dos Santos a liderar durante os apenas três meses da sua duração, em constante tensão com os «bonzos», sector dominante no Partido Democrático, liderado por António Maria da Silva. Este primeiro acto permite-nos pôr em cena as personagens dramáticas que nos vão acompanhar até ao fim, os políticos do ocaso republicano cujos nomes — não por acaso — são hoje muito menos lembrados do que aqueles, de Teófilo Braga a Manuel de Arriaga, de Bernardino Machado a Afonso Costa, que fundaram o regime.