Num protesto de amor, lésbicas albanesas “casam-se” no telhado da câmara de Tirana

Alba Ahmetaj e Edlira Mara organizaram uma cerimónia de casamento no telhado do gabinete do Presidente da Câmara, apesar de nenhuma lei permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Albânia.

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Alba Ahmetaj e Edlira Mara beijam-se durante a cerimónia de casamento no telhado do gabinete do Presidente da Câmara, apesar de nenhuma lei permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país Florion Goga / REUTERS
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No telhado do gabinete do presidente da câmara municipal de Tirana, capital da Albânia, Alba Ahmetaj e Edlira Mara realizaram uma cerimónia de casamento não oficial no domingo, um gesto simbólico que esperam que possa promover os direitos LGBT+ no conservador país dos Balcãs.

Os convidados atiraram pétalas brancas enquanto o casal, com vestidos brancos esvoaçantes, se aproximava do altar com vista para o centro histórico da cidade. No final da cerimónia, beijaram-se e abraçaram as filhas gémeas de três anos.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é permitido na Albânia, de maioria muçulmana, e a união não será reconhecida pelo Estado. Mas o casal, que foi casado por dois pastores britânicos, quis passar uma mensagem.

"A nossa sociedade é muito patriarcal e homofóbica", disse Ahmetaj antes da cerimónia. "Isto é entre nós, porque é que a sociedade se há-de meter no meio?"

Três andares abaixo, a polícia vigiava a entrada do edifício em caso de protestos. Quando o casamento foi anunciado nas redes sociais, um dia antes, a publicação foi inundada de discurso de ódio. "Pessoas doentes", lia-se num dos comentários. "Deviam arder no inferno", escreveu outra pessoa.

Enquanto a maior parte da Europa Ocidental deu passos em direcção à igualdade no casamento, os direitos são limitados em grande parte da Europa Central e Oriental.

A vizinha Grécia aprovou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo no início deste ano e o Kosovo, que também tem uma maioria de etnia albanesa, está a considerar reconhecer em breve as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Mas os líderes muçulmanos e cristãos têm uma forte influência na Albânia e têm-se oposto a essa mudança.

De acordo com um relatório da UE do ano passado, cerca de 40% da comunidade LGBT+ albanesa relatou incidentes de discriminação. Apenas um quinto desses incidentes foi denunciado à polícia.

A 10 de Fevereiro, Mara e Ahmetaj estavam a tomar café com as filhas num café de Tirana quando receberam mensagens no Facebook que diziam que seriam alvejadas por um atirador furtivo "no meio da testa" se voltassem a passar por aquele local, contou Mara. "Tive medo de passar por aquela estrada durante dias... o perigo ainda está presente na minha cabeça."

Mesmo assim, as mulheres continuam a lutar pelos seus direitos. Recorreram ao tribunal para serem reconhecidas como progenitoras das filhas. Se não resultar, tencionam recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo.

"Não deixaremos de lutar", declarou Mara, a mãe biológica. "As nossas filhas merecem ter-nos a ambas nos documentos oficiais."

A cerimónia de domingo teve lugar ao anoitecer, com vista para a praça principal de Tirana. Algumas dezenas de convidados beberam vinho e aplaudiram as amigas. Transeuntes alheios aproveitavam a noite quente lá em baixo. "Aos que são contra este casamento, digo-lhes que nada vai mudar, a terra continua a girar, a Albânia continuará a ser pobre e poluída", disse Xheni Karaj, activista LGBT+ cujo parceiro apanhou o ramo de flores do casamento.

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