A linhagem BA.2 é mais transmissível e “poderá ser ligeiramente mais agressiva” do que a Ómicron original?

Graça Freitas disse esta sexta-feira que a linhagem BA.2 será um pouco mais transmissível e pode ser ligeiramente mais agressiva do que Ómicron original, a BA.1.

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Graça Freitas, directora-geral da Saúde MIGUEL A. LOPES/Lusa

A frase

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A frase

“Aparentemente [a BA.2, uma linhagem da Ómicron] será um bocadinho mais transmissível e aparentemente poderá ser ligeiramente mais agressiva.”

Graça Freitas, directora-geral da Saúde, numa conferência de imprensa esta sexta-feira

O contexto

Esta sexta-feira, numa conferência de imprensa, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, referiu-se a duas das linhagens consideradas da variante Ómicron: a original, designada BA.1; e uma que surgiu depois dessa, a BA.2. Graça Freitas indicou que ainda há poucos dados no mundo que permitam caracterizar com rigor a BA.2. Mesmo assim, afirmou: “Aparentemente [a BA.2] será ainda um bocadinho mais transmissível [do que a BA.1], aparentemente poderá ser ligeiramente mais agressiva, mas ainda não há dados suficientes que nos permitam caracterizar não só a sintomatologia como o impacto da infecção na doença grave. Portanto, vamos aguardar estudos.”

Os factos

Quanto à transmissibilidade, estudos têm já vindo a mostrar que a BA.2 tem uma “vantagem de crescimento” em relação à BA.1, referiu a Organização Mundial da Saúde (OMS) em comunicado esta semana. A BA.2 tem vindo a substituir a BA.1 como linhagem dominante em diferentes países, incluindo em Portugal. Assinalando que há investigações em curso para se perceber as razões dessa vantagem, a OMS indicou no comunicado que os dados iniciais sugerem que a BA.2 “aparenta ser inerentemente mais transmissível do que a BA.1”. Mesmo assim, essa diferença entre essas duas linhagens parece ser mais pequena do que era entre a BA.1 e a Delta (uma variante anteriormente dominante no mundo).

Sobre a severidade da BA.2, dados preliminares de um estudo laboratorial no Japão em animais sem imunidade ao SARS-CoV-2 apontam que “a BA.2 pode causar doença mais severa em hamsters em comparação com a BA.1”, indica a OMS. Contudo, em dados do mundo real sobre a severidade clínica do coronavírus provenientes da África do Sul, do Reino Unido e da Dinamarca (onde a imunidade conferida pela vacinação ou pela infecção natural é elevada) “não reportaram diferenças entre a severidade entre a BA.2 e a BA.1”.

Em resumo

Sim, é verdade que se tem vindo a considerar que a linhagem BA.2 é um pouco mais transmissível do que a Ómicron original. Restam mais dúvidas quanto às diferenças entre ambas (a BA.1 e a BA.2) relativamente à severidade: embora os dados disponíveis no mundo real mostrem que não há grandes diferenças entre as duas, um estudo em hamsters coloque em cima da mesa essa possibilidade. Mais investigações deverão esclarecer esta questão.