MOA Sushi: Um crescimento sem estar preso a rótulos

O chef Pekel usou o surf para viajar pelo mundo. De cada continente trouxe o sabor de várias cozinhas, que Madalena, actual sócia e CEO da empresa, também aprovou - e criaram o MOA Sushi. Juntos, planearam uma fuga à tradição, que rapidamente foi reconhecida.

A história do MOA Sushi é a quinta de sete histórias que contamos no projecto Construir o Presente. Uma série documental, patrocinada pela Google, que retrata histórias reais de empresas portuguesas que estão a construir o presente com os olhos postos no futuro, através da utilização das ferramentas digitais Google. Acompanhe esta série em vídeo, artigo e podcast.


Aproveitar o que de melhor o mundo tem. Foi assim que Nuande Pekel, chef Executivo do MOA Sushi, sempre viveu a vida. Cresceu numa família de surfistas - o pai e todos os irmãos são surfistas - e foi o mar que o guiou durante os últimos anos. Nuande explica que começou “a viajar para explorar as boas ondas em redor do mundo”, primeiro por profissão, sendo surfista profissional patrocinado por uma marca reconhecida no meio, e depois por vontade própria. E nestas viagens, não foi só o mar que o conquistou: cada novo sabor que experimentava trazia uma sensação diferente, que Nuande queria também explorar.

A primeira viagem foi ao Peru, onde conheceu um mundo novo. “Foi uma abertura de mente”, confessa o chef, que ficou impressionado pela “quantidade e tipo de ingredientes que eram usados”. “Eu senti que no ponto em que estava não conseguia pôr aquilo em prática, tinha de explorar mais”, completa. E foi com as viagens que continuou a evoluir e mudou a sua cozinha. Na segunda viagem, Nuande foi à Indonésia, onde se dá a sua “transição da cozinha mediterrânica para o sushi”. E esta mudança explica-se facilmente. “A minha maneira de surfar é uma coisa muito irreverente, nunca fui da linha tradicional”, diz Nuande, que vê no sushi algumas semelhanças por “não ser uma coisa mecânica”. “Se eu for contar, um rolo de sushi meu pode, às vezes, ter 30 ingredientes”, explica. Contudo, para o chef a maior ciência - para lá da qualidade extrema de todos os produtos - continua a ser o que parece ser mais simples: ter um bom arroz. “Um bom arroz, bem moldado, bem temperado, continua a ser o mais importante num bom Sushi”, diz Nuande.  

A nível profissional, Nuande também foi sempre irreverente. Mudou-se de Porto Galinhas, no Brasil, para Portugal para reencontrar a mãe, que quase sempre trabalhou em cozinha, e começou a trabalhar num hotel na zona de Cascais. Primeiro nas limpezas do hotel durante a noite, depois chegou à cozinha e, mais tarde, a chef. “Dentro desse hotel surgiu a oportunidade de ter esta vertente do sushi e eu assumi, disse que queria fazer”, conta Nuande. E, mesmo não sabendo, foi aí que começou o MOA. 

O MOA nasceu em 2018 da vontade de fugir à tradição e criar uma nova fusão de sabores.
Uma peça de sushi pode ter mais de 30 ingredientes.
Nuande Pekel esteve entre os primeiros chefs a implementar o ceviche num restaurante japonês
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Fugir à tradição com sabor

Madalena Sousa Coutinho, sócia de Nuande e CEO do MOA, acredita que há uma identidade única no MOA e essa é a maior razão do seu sucesso. Para esta, o que melhor o define é uma “fuga à tradição”, assumindo que o início não foi fácil: “quando abrimos o MOA toda a gente dizia que era ‘mais um sushi em Cascais’”. Uma observação que, como se viu, não podia estar mais errada. Não era mais um e as críticas positivas provaram-no.

Madalena reconhece que, antes do MOA, havia outros sushis em Cascais, mas do seu ponto de vista “era tudo muito igual, em tons de preto e vermelho”. Para Madalena, o MOA inaugura um sushi “boa onda, mais ligado à natureza, com muitas plantas, madeiras e bossa nova”. “Adaptámo-nos muito mais ao estilo de vida das pessoas aqui em Cascais”, completa. Os comentários não se resumiram a ser “só mais um” e a própria raiz da cozinha foi questionada. Nuande conta que “houve críticas que diziam que eu não era sushiman, que o meu restaurante não era japonês”. Isto porque Nuande, irreverente como sempre, trouxe das suas viagens muitas inovações - “99% do que eu implemento no sushi está muito ligado a essas viagens, ao mar, à praia”, diz o chef. “Fui uma das primeiras pessoas a implementar o ceviche num restaurante japonês”, exemplifica Nuande, mas também “uma das primeiras pessoas a trazer o poke do Hawai ou os tacos do México e a implementar num restaurante japonês”. 

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Nuande Pekel, chef executivo o MOA e Madalena Sousa Coutinho, CEO e sócia do MOA.

Inovações que não foram, na altura, bem-recebidas pela corrente mais purista e tradicional da cozinha japonesa. Nuande nunca concordou, achando que era responsabilidade sua trazer também para os seus clientes os sabores que ele próprio descobria. O chef diz mesmo que “não achava, nem considero válido viajar e não trazer aquilo para mim e mostrar aquele mundo”. Para o chef essa é até a grande vantagem do MOA e a razão do seu sucesso - não estar preso a rótulos. “O diferencial do MOA é que estamos sempre um passo à frente em muita coisa no que toca a fusão”, termina Nuande.

Um gosto digital

Ainda que com um bom conceito, diferente de tudo o resto, o negócio da restauração ainda é dos mais competitivos. Mesmo para quem já está habituado às maiores ondas. Madalena, que delega a parte criativa para Nuande, assume a parte de gestão do MOA e foi ela, neste prisma, quem pegou na prancha. Para Madalena, a importância do digital sempre foi clara, pois “no MOA houve sempre uma consciência da importância da presença digital”. Mas foi mais do que isso, com Madalena a contar que rapidamente “se foi tornando essencial à nossa gestão”. 

Esta importância regista-se principalmente quando falamos do Google My Business, “uma espécie de montra digital daquilo que é o MOA”. “Com o Google My Business conseguimos ver o número de visitas ao nosso site, os comentários dos nossos clientes e, claro, a pontuação que estes atribuem ao nosso negócio”, conta Madalena. E, apesar de todos os recursos de marketing e divulgação possíveis hoje em dia, a CEO continua a acreditar que o maior poder está mesmo do lado dos clientes. “O word of mouth é a melhor publicidade”, diz Madalena, que continua convicta de que “as pessoas continuam a guiar-se muito pela opinião de outras pessoas, neste caso clientes”. “Este é, sem dúvida, um factor-chave para trazer outras pessoas que não conhecem o nosso restaurante”, conclui.

Os resultados desta aposta não se fizeram esperar. No MOA em Cascais, Madalena diz que, em média, são recebidas “cerca de 1700 chamadas por mês provenientes do Google My Business para reservas ou informações”.

Uma rampa decisiva para o crescimento do conceito do MOA fora do concelho. Para além de Cascais, seguiu-se um MOA na Parede e, mais recentemente, um MOA em Algés, este último dedicado apenas a entregas em casa. Madalena aposta em não ficar por aqui, exprimindo o desejo de “expandir ainda mais, provavelmente para Lisboa”. Com a irreverência do costume, isso é certo.


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