Kim Jong-un promete construir Exército “invencível” para defender a Coreia do Norte

O líder norte-coreano acusa os Estados Unidos de promoverem a instabilidade na região durante uma exposição de armamento e garante que a Coreia do Norte não procura a “guerra com ninguém”.

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Kim Jong-un discursa durante a exposição de armamento em Pyongyang KCNA/Reuters

Durante uma das maiores exibições de armamento da Coreia do Norte, Kim Jong-un afirmou que pretende construir um “Exército invencível” para aumentar a capacidade defensiva do país e acusou os Estados Unidos de promoverem políticas “hostis”, que são “causa principal” da instabilidade na região.

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Durante uma das maiores exibições de armamento da Coreia do Norte, Kim Jong-un afirmou que pretende construir um “Exército invencível” para aumentar a capacidade defensiva do país e acusou os Estados Unidos de promoverem políticas “hostis”, que são “causa principal” da instabilidade na região.

Num discurso proferido na segunda-feira em Pyongyang, numa exposição dedicada ao desenvolvimento do sistema de defesa do país, Kim acusou a Coreia do Sul de estar a “destruir o equilíbrio militar na península coreana” e a “aumentar a instabilidade militar e o perigo”.

Seul tem vindo a aumentar o seu arsenal e a realizar anualmente exercícios militares com EUA, que Pyongyang vê como “um ensaio para a guerra”. Apesar de terem sido restabelecidas as comunicações entre os dois lados do Paralelo 38, Kim acusou Seul de ter uma “ambição imprudente” e uma atitude “dupla e ilógica”.

O líder norte-coreano afirmou, no entanto, que a Coreia do Norte não quer entrar em confronto com o vizinho, nem está “a fortalecer” as suas capacidades defensivas contra o Sul, culpando os EUA pela instabilidade entre as Coreias.

“Os Estados Unidos estão a fomentar a tensão na região. Não há fundamentos nas suas acções que nos levem a acreditar que não são hostis”, disse Kim, citado pela imprensa local.

“Não estamos a discutir a guerra com ninguém mas, antes, a evitar a própria guerra e a aumentar a dissuasão militar para proteger a soberania nacional”, continuou.

Exposição militar

O evento em Pyongyang foi uma das maiores exposições militares realizadas no país – a imprensa sul-coreana indicou ser o primeiro acontecimento do género na Coreia do Norte –, um dia depois do 76.º aniversário do Partido dos Trabalhadores. Entre o armamento em exposição, incluindo tanques e mísseis intercontinentais, destacou-se o Hwasong-8, o míssil hipersónico testado há menos de um mês e visto como a próxima geração de armamento, notou o Washington Post

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North Korea's Korean Central News Agency (KCNA)

É devido ao seu programa nuclear que Pyongyang enfrenta várias sanções internacionais. Para negociar a desnuclearização do país asiático e o levantamento das sanções, depois de várias conversações com a Administração Trump, os EUA já demonstraram abertura para dialogar com a Coreia do Norte sem “pré-requisitos”.

Pyongyang, pelo seu lado, desconfia da postura norte-americana e tem recusado retomar o diálogo enquanto persistirem as sanções e os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

Kim Jong-un tem apresentado a defesa territorial da Coreia do Norte como justificação para o desenvolvimento de novas armas. Nas últimas semanas, Pyongyang levou a cabo vários testes de mísseis em que exibiu os desenvolvimentos no seu armamento e programa nuclear.

No mês passado, a Agência Internacional para a Energia Atómica indicou que poderá ter sido reactivado o reactor Yongbyon, o principal meio para produzir o plutónio necessário para o armamento nuclear.

Os observadores, porém, acreditam que a exibição de armamento tem também o objectivo de mobilizar o país num momento de crise. Na segunda-feira, Kim admitiu que o país atravessa uma crise económica e dificuldades sem precedentes, causadas pelo isolamento económico do país e agravadas pela pandemia.