Covid-19: restrições na região de Lisboa não impediram saídas (que até aumentaram)

População residente optou por se deslocar para fora da Área Metropolitana de Lisboa, sobretudo, nos dias que antecedem o fim-de-semana. Entradas na região tiveram diminuição “evidente”.

Foto
Rui Gaudencio

A limitação das deslocações de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML), que vigorou durante os últimos dois fins-de-semana, não impediu que os residentes se deslocassem para fora daquela região. Houve, aliás, um aumento nas saídas de 0,6 pontos percentuais. Já as entradas na região da capital registaram uma descida de -8,6 pontos percentuais entre os dias 21 e 27 de Junho, face ao valor médio de referência, que foi a média semanal do mês de Maio. 

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

A limitação das deslocações de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML), que vigorou durante os últimos dois fins-de-semana, não impediu que os residentes se deslocassem para fora daquela região. Houve, aliás, um aumento nas saídas de 0,6 pontos percentuais. Já as entradas na região da capital registaram uma descida de -8,6 pontos percentuais entre os dias 21 e 27 de Junho, face ao valor médio de referência, que foi a média semanal do mês de Maio. 

De acordo com os números compilados pela consultora PSE, especializada em ciências de dados, “houve um fenómeno de antecipação das deslocações que foi particularmente visível no número de pessoas que saíram da Área Metropolitana de Lisboa na quinta e mesmo na sexta-feira anteriores às restrições”, como se lê numa nota de imprensa enviada ao PÚBLICO esta segunda-feira. 

A PSE reporta ainda que o volume de deslocações para fora da região leva a concluir que “a medida não conseguiu conter as saídas da AML por parte dos seus residentes, que aproveitaram sobretudo os dias 24 e 25 de Junho para realizar as deslocações que tipicamente fariam no fim-de-semana.” Apesar disso, o número de saídas foi “idêntico a uma semana média de referência”, refere o comunicado, notando o ligeiro aumento de 0,6 pontos percentuais. 

Em contraste, como refere a consultora, a descida nas deslocações feitas para a região e subsequentemente a descida na entrada de não residentes foi “evidente”.

As “restrições impostas impactaram sobretudo o tráfego durante o fim-de-semana, reduziram o número de pessoas a entrar na AML, na semana, mas não impactaram os movimentos de pessoas a sair da AML, se contarmos todos os dias da semana 25”, pode ainda ler-se na mesma nota de imprensa. 

O elevado número de casos de covid-19 na zona da capital e a predominância da variante Delta do novo coronavírus levou o Governo a decidir aplicar uma medida extraordinária na AML, proibindo a circulação quer para dentro da AML quer para fora, durante todo o fim-de-semana. A medida teve início às 15h de sexta-feira e termina às 6h de segunda-feira, há já dois fins-de-semana seguidos.

Quando a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou a medida não avançou até quando se irá prolongar. No total, 18 concelhos são abrangidos pela proibição, numa medida que afecta aproximadamente 2,9 milhões de pessoas. Ou seja, aproximadamente 30% da população residente do país.

A circulação entre concelhos da AML não está proibida, a regra aplica-se apenas aos que estão fora desta área. Contudo, há 18 excepções à proibição de circulação na lista. São permitidas as deslocações para desempenho de funções profissionais ou equiparadas, atestadas por declaração da entidade empregadora ou declaração emitida pelo próprio, no caso de trabalhadores independentes ou empresários em nome individual, por exemplo.

Além disso, podem entrar e sair da área metropolitana as pessoas que tenham um certificado digital ou teste negativo à covid-19.