Morreu Charles Grodin, um dos melhores actores cómicos do século XX

O actor de filmes como The Heartbreak Kid ou Fuga à Meia-noite tinha 86 anos.

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Charles Grodin e Cybill Shepherd em Casei-me por Engano, de Elaine May. Grodin morreu esta terça-feira, aos 86 anos. DR

Numa carreira que durou do início dos anos 1960 até ao final da década passada, Charles Grodin, que morreu esta terça-feira aos 86 anos, foi consistentemente um dos grandes actores cómicos norte-americanos. Segundo o The New York Times, que cita um dos filhos do actor, Nicholas, Grodin morreu na Califórnia de um cancro na medula óssea.

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Numa carreira que durou do início dos anos 1960 até ao final da década passada, Charles Grodin, que morreu esta terça-feira aos 86 anos, foi consistentemente um dos grandes actores cómicos norte-americanos. Segundo o The New York Times, que cita um dos filhos do actor, Nicholas, Grodin morreu na Califórnia de um cancro na medula óssea.

Rei da comédia inexpressiva, capaz de servir de personificação de uma masculinidade insegura e não raras patética, passou pelo cinema, onde protagonizou filmes como The Heartbreak Kid (Casei-me Por Engano), de Elaine May, em 1972, pela televisão, onde, além de representar, escreveu e foi apresentador de um talk show nos anos 1990 e era presença regular em programas de outros, como Johnny Carson ou David Letterman, trazendo uma secura e bizarria bem diferentes das entrevistas normais a celebridades, pelos palcos, seja como actor ou dramaturgo, e ainda nos livros. Na televisão, ganhou um Emmy conjunto pela escrita de The Paul Simon Special, um especial de variedades com Paul Simon de 1977, o mesmo ano em que apresentou Saturday Night Live, programa do qual terá sido banido.

Parceria com Elaine May

Grodin, que nasceu na Pensilvânia em 1935, estudou na Universidade de Miami e desistiu para seguir representação. Depois de pequenos papéis na televisão, fez-se notar nos palcos da Broadway com Tchin-Tchin, ao lado de Anthony Quinn e Margaret Leighton, em 1962. Ainda nessa década, participou em A Semente do Diabo, de Roman Polanski e, em 1970, na famigerada adaptação que Mike Nichols fez de Catch-22, o romance de Joseph Heller.

Seria com a antiga parceira cómica de Nichols, Elaine May, que Grodin faria alguns dos seus melhores trabalhos. Além do patético Lenny Cantrow, um homem que se casa por impulso e se apaixona por outra mulher na lua-de-mel, do já mencionado Casei-me Por Engano, pelo qual foi nomeado para um Globo de Ouro, ainda teve, em 1978, uma prestação memorável como um secretário pessoal oportunista de um milionário que conspira para o matar em O Céu Pode Esperar, de Warren Beatty e Buck Henry, co-escrito por May. Foi ainda actor secundário, ao lado de Beatty e Dustin Hoffman, em Ishtar, o filme de 1987 que matou a carreira de Elaine May como realizadora, onde era um sinistro agente da CIA.

Grodin apareceu também em filmes como o King Kong de John Guillermin, em 1976, Agora é a Minha Vez, de Claudia Weill, em 1980, Queridos, a Mamã Encolheu, o primeiro filme de Joel Schumacher, ao lado de Lily Tomlin, em 1981, o mesmo ano em que foi o vilão de Os Marretas contra-atacam, de Jim Henson, ou Os Solitários, de Arthur Hiller, ao lado de Steve Martin numa adaptação de um conto de Bruce Jay Friedman, o escritor que já tinha inspirado Casei-me por Engano​. Fez também A Mulher de Vermelho, de Gene Wilder. Ainda nos anos 1980, já no final da década, fez parceria com Robert De Niro na seminal comédia de acção Fuga à Meia-noite, de Martin Brest, no papel de um contabilista que roubou dinheiro à máfia.

Ainda em grandes papéis cómicos, foi em 1979 o protagonista do clássico Real Life, o filme de estreia do cómico Albert Brooks, um falso documentário sobre uma família. Os papéis de patriarca eram algo que Grodin fazia de forma perdurável: há toda uma geração de pessoas criadas após os anos 1990 que o recordam como o pai de Beethoven, os dois filmes sobre a relação de uma família com um cão São Bernardo que começou em 1992. Nessa década, a carreira de Grodin abrandou, ainda assim com prestações memoráveis como a sua participação pequena em Casei com uma Assassina, de Thomas Schlamme, em 1993. Ou, um ano mais tarde, como co-protagonista em Clifford, de Paul Flaherty, uma comédia bizarra em que Martin Short fazia de uma criança de dez anos. Mais recentemente, apareceu em Enquanto Somos Jovens, de Noah Baumbach.