Task force queria vacinar quase 80 mil professores e funcionários no fim-de-semana, mas operação foi suspensa

Vacinação de docentes e não docentes do pré-escolar e 1.º ciclo vai ter que ser adiada por causa da suspensão temporária da vacina da AstraZeneca.

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Rui Gaudêncio

A vacinação contra a covid-19 dos docentes e não docentes do pré-escolar e 1.º ciclo, que estava programada para o próximo fim-de-semana, teve que ser adiada, devido à  suspensão temporária da administração da vacina da AstraZeneca por uma questão de precaução, enquanto se tenta perceber se as três dezenas casos de tromboembolismo (coágulos sanguíneos) reportados até à data nos cerca de cinco milhões de pessoas que já receberam a primeira dose na União Europeia estão ou não relacionados com a administração deste fármaco.

Estava prevista a a vacinação dos cerca de 78.700 professores e auxiliares identificados pelos ministérios da Educação e da Segurança Social na operação do fim-de-semana, segundo adiantou ao PÚBLICO uma fonte do grupo de trabalho (task force) responsável pelo plano nacional de vacinação contra a covid-19. As creches e os outros ciclos de ensino ficam para mais tarde.

Previa-se que a operação avançasse em “três modalidades”. Nos concelhos em que o número de pessoas a imunizar era inferior a 250, estava planeado que a vacinação fosse  feita nos centros de saúde; naqueles em que oscilasse entre 250 e 500 seria levada a cabo em agrupamentos escolares; e, nos que têm mais de 500, realizar-se-ia em centros de vacinação contra a covid-19 já em funcionamento. “Será um teste para ver como estão a funcionar estes centros”, explicou a fonte da task force.

Os professores e auxiliares serão inoculados com a primeira dose da vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, que permite um intervalo de 12 semanas até à segunda dose.

Os responsáveis pela task force têm garantido que a imunização dos professores, educadores e funcionários do pré-escolar e do 1.º ciclo não vai afectar a vacinação dos outros grupos prioritários da primeira fase da operação, os idosos a partir dos 80 anos e as pessoas dos 50 aos 79 anos com doenças de maior risco associadas a covid-19 (insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal mais grave, doença pulmonar obstrutiva crónica e trissomia 21).

Para estas pessoas que estão integradas no grupo “salvar vidas”, estão reservadas 90% das doses que vão chegando a Portugal, ficando os restantes 10% para todos os grupos incluídos na “resiliência do Estado”, a que foram acrescentados na semana passada os docentes e não docentes dos estabelecimentos de ensino e de educação e também os profissionais das “respostas sociais”.

Até à data, de acordo com os últimos dados enviados para o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), estão vacinados com a primeira dose metade (49,7%) dos idosos a partir dos 80 anos e 13,1%, com a segunda dose.

Notícia actualizada: a suspensão da administração da vacina da AstraZeneca foi anunciada esta segunda-feira ao início da noite