Nô mindjeries”: retratos de uma ponte entre Portugal e a Guiné-Bissau para combater a excisão

Projecto de cooperação apoia trabalho contra mutilação genital feminina e práticas nefastas tradicionais na Guiné-Bissau. Em Portugal, ainda “há muitas mulheres que continuam sozinhas”.

Instrumentos de corte usado nas cerimónias “fanadu di mindjer”MGF (2018)
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Instrumentos de corte usado nas cerimónias “fanadu di mindjer”MGF (2018) Tiago Lopes Fernandez
Ex-fanateca apresenta o seu testemunho em djumbai no Bairro Militar (2018)
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Ex-fanateca apresenta o seu testemunho em djumbai no Bairro Militar (2018) Maria Manuel Andrade
Num sábado nos arredores de Bissau uma jovem ensina um grupo de meninas a jogar Djuga Dama - jogo de tabuleiro muito popular em todo o país (2018)
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Num sábado nos arredores de Bissau uma jovem ensina um grupo de meninas a jogar Djuga Dama - jogo de tabuleiro muito popular em todo o país (2018) Tiago Lopes Fernandez
Mãe e bebé, hospital Simão Mendes, Bissau (2018)
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Mãe e bebé, hospital Simão Mendes, Bissau (2018) Maria Manuel Andrade
Mulheres regressam a casa com as cadeiras que levaram para participar no djumbai, Bairro Haa (2017)
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Mulheres regressam a casa com as cadeiras que levaram para participar no djumbai, Bairro Haa (2017) LUZIA
Facas entregues ao CNAPN, por ex-fanatecas, mostrando as mãos vazias como símbolo de renúncia à prática da MGF/E (2018)
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Facas entregues ao CNAPN, por ex-fanatecas, mostrando as mãos vazias como símbolo de renúncia à prática da MGF/E (2018) Tiago Lopes Fernandez

Antes daquele dia, Aisha, como lhe chamaremos, não se sentia “à vontade para falar e nem tão pouco esperava ouvir alguém a falar assim na primeira pessoa”. “A minha primeira experiência foi um bocadinho chocante”, recorda. Naquela palestra, Fatumata Djau Baldé, presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança da Guiné-Bissau (CNAPN), “explicou tudo” o que lhe aconteceu desde que foi submetida ao fanado, o ritual de mutilação genital feminina (MGF) feito por algumas etnias no país. “Fiquei chocada, chorei bastante... Foi a primeira vez”, explica Aisha. “Depois comecei a conhecer mais pessoas e a falar e agora já falo naturalmente, sem aquele choque, aquela dor que eu sentia.”