Marcelo perde cinco pontos percentuais nas intenções de voto

João Ferreira mantém 5% e descola de Marisa Matias, que desce para 3%. Ana Gomes e André Ventura distanciados por quatro pontos percentuais.

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Daniel Rocha

O actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, continua a garantir a sua reeleição, à primeira volta, nas eleições presidenciais de domingo, ao obter 63% das intenções de voto, na sondagem feita para o PÚBLICO e a RTP pela Universidade Católica. Apesar de liderar o ranking de candidatos, Marcelo perde cinco pontos percentuais em relação à sondagem de Dezembro, na qual obtinha 68% das intenções de voto.

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O actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, continua a garantir a sua reeleição, à primeira volta, nas eleições presidenciais de domingo, ao obter 63% das intenções de voto, na sondagem feita para o PÚBLICO e a RTP pela Universidade Católica. Apesar de liderar o ranking de candidatos, Marcelo perde cinco pontos percentuais em relação à sondagem de Dezembro, na qual obtinha 68% das intenções de voto.

Ana Gomes surge com 14%, mais um ponto percentual do que em Dezembro. André Ventura obtém 10% das intenções de voto, o que representa uma subida de 2 pontos. João Ferreira mantém-se nos 5%. Marisa Matias desce de 5% para 3% nas intenções de voto. Tiago Mayan Gonçalves sobe de 1% para 3%. Vitorino Silva obtém 2% das intenções de voto. O universo desta sondagem é de 2001 inquéritos válidos feitos para telemóveis.

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Outra conclusão deste estudo é a aproximação de André Ventura a Ana Gomes, agora com uma diferença de quatro pontos percentuais entre si, em vez dos cinco anteriores. É uma diferença superior aos 2,2% de margem de erro deste estudo, que oferece um nível de confiança de 95%.

Mudança clara no alinhamento das intenções de voto é a descolagem de João Ferreira em relação a Marisa Matias, uma vez que o candidato apoiado pelo PCP se mantém nos 5% e Marisa Matias baixa para 3%.

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Importa, porém, salientar que o trabalho de campo deste inquérito decorreu entre os dias 11 e 14 de Janeiro, o que significa que nele ainda não se reflecte a polémica “lábios vermelhos”, nascida das afirmações sobre os outros candidatos proferidas por André Ventura, na noite de 13 de Janeiro. O movimento #VermelhoEmBelém, que se formou a seguir à polémica, foi crescendo nas redes sociais depois desta data.

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa é aquele que é alvo das intenções de voto de inquiridos que dizem ir votar nos partidos parlamentares e que responderam neste inquérito que votarão “de certeza”.

Ainda que a maioria dos seus eleitores vote à direita recebe o voto de 71% dos eleitores do PSD e a mesma percentagem dos do CDS —, Marcelo é a opção eleitoral de 67% dos inquiridos que votam PS. Isto, quando 29% dos seus potenciais eleitores dizem votar no BE, 16% na CDU e 44% no PAN.

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Na distribuição por quadrantes partidários, a candidata socialista Ana Gomes tem 24% dos eleitores do BE e apenas 18% do PS, menos do que os 28% de eleitores do PAN que dizem ir votar nela.

Já Marisa Matias tem só 31% de votantes BE, partido de que é dirigente e eurodeputada, 6% do PAN, 2% do PS, 4% PSD. João Ferreira, o candidato do PCP, beneficia da lealdade partidária, já que obtém 56% dos que têm intenção de votar na CDU e ainda 5% dos que dizem ser eleitores do BE.

Na divisão por género, Marcelo Rebelo de Sousa é mais popular entre mulheres, com 71% de intenções de voto contra 54% de homens. É também o mais votado em todos os grupos etários, com maior peso a partir dos 65 anos. Ana Gomes é a candidata com mais apoiantes licenciados. Já Tiago Mayan Gonçalves e Marisa Matias são os únicos que conseguem suscitar mais intenções de voto entre os jovens (18-24) do que noutras faixas etárias.

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Vontade de votar

Quanto ao facto de as eleições presidenciais se realizarem num momento em que Portugal vive um crescimento exponencial das contaminações e mortes por covid-19, a maioria dos inquiridos não revela medo de votar. Dos inquiridos, 57% respondem não ter “nenhum” receio de ir votar no próximo domingo, 24% revelam “algum”, dizem ter “muito” 9% e 8% têm “pouco”. Curiosamente, são os eleitores de Vitorino Silva (que defendeu o adiamento das eleições) os que se mostram menos receosos.

Em relação à vontade de votar, 62% respondem que “de certeza” vão, 19% afirmam que “em princípio vão, 12% “ainda não sabem se vão votar”, 3% “não tencionam ir votar” e 4% respondem que “de certeza” não irão às urnas.

Os responsáveis pelo estudo de opinião da Universidade Católica advertem, porém, que “a partir destas respostas não é possível prever um valor para a abstenção”, uma vez que “entre as pessoas que aceitaram participar na sondagem, 62% dizem que vão votar de certeza”.

O estudo cruza as intenções de voto com o receio de votar e conclui que este medo prejudica mais Marcelo Rebelo de Sousa. Esta relação revela também que a diferença de quatro pontos percentuais entre Ana Gomes e André Ventura baixa para 2% nas pessoas sem receio.