Morreram mais 8000 pessoas do que o normal desde o início da pandemia. Menos de um terço devido à covid-19

Nas últimas quatro semanas, as mortes por covid-19 representaram já 45,4% do excesso de óbitos. Maior parte ocorreu fora dos hospitais e atingiu população com mais de 75 anos.

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LUSA/TIAGO PETINGA

Desde o início da pandemia, em Março, faleceram em Portugal 72.519 pessoas, o que significa um aumento de 7.936 óbitos face à média do período homólogo dos últimos cinco anos. Menos de um terço (27,5%) das mortes deve-se à covid-19. Os dados são publicados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados publicados pelo INE reportam-se ao período entre 2 de Março, data em que foram diagnosticados os primeiros casos da doença em Portugal, e 18 de Outubro. No relatório, aquele organismo público volta a sublinha algo que tem vindo a ficar patente nos indicadores dos últimos meses: “O acréscimo da mortalidade, verificado a partir de Março, relativamente à média dos últimos cinco anos é explicado apenas em parte pelos óbitos por covid-19”.

O reflexo das mortes pelo novo coronavírus no acréscimo de óbitos aumentou nas últimas semanas. No último mês (período de 21 de Setembro a 18 de Outubro), houve mais 612 óbitos do que a média do período homólogo. Os mortos por covid-19 representam 45,4% desse número. Desde o final de Setembro que “voltou a observar-se um aumento do número de óbitos para valores acima da média dos últimos cinco anos”, segundo o INE, depois de, no Verão, o indicador ter recuado para valores mais próximos do que era habitual em anos anteriores.

Segundo o INE, nos primeiros dois meses deste ano, o número de óbitos foi, em geral, inferior aos valores médios observados nos últimos cinco anos. A tendência inverteu-se a partir da semana de 9 a 15 de Março, ainda antes de ser confirmada a primeira morte por covid-19. Os números atingiram um pico na semana de 6 a 12 de Abril, reduzindo-se gradualmente até ao fim do período de Estado de Emergência.

O acréscimo de mortes atinge sobretudo a população mais velha. Mais de 70% dos óbitos respeitam a pessoas com 75 anos ou mais. No período analisado pelo INE, morreram mais 6.824 pessoas nessa faixa etária face à média do período homólogo dos cinco anos anterior. Quase 80% destes tinham mais de 85 anos.

Os óbitos de mulheres deram “maior contribuição para o aumento da mortalidade”, segundo o INE. O maior acréscimo registou-se na região Norte – com excepção da última semana de Junho e das primeiras de Julho em que foi superior na Área Metropolitana de Lisboa.

Os dados do INE mostram também que 69% do acréscimo de mortes (um total de 5.453 óbitos) se registaram fora dos hospitais. Nas unidades de saúde faleceram 2.483 pessoas a mais do que a média dos últimos cinco anos. O excedente de óbitos fora do contexto hospitalar é “importante ao longo de todas as semanas, mas especialmente até ao início de Junho”. Nas últimas semanas, o aumento de óbitos repartiu-se de “forma mais equilibrada” entre os hospitais e os restantes contextos.

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