Em seis meses, morreram mais 5882 pessoas do que no mesmo período de 2019

Epidemia de covid-19 em Portugal mantém “uma elevada heterogeneidade territorial”, sublinha o Instituto Nacional de Estatística.

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Miguel Manso

Em seis meses, entre 1 de Março e 30 de Agosto, morreram em Portugal mais 5882 pessoas do que no mesmo período de 2019, e mais 3757 do que em idêntico período de 2018, uma variação que resultou sobretudo do acréscimo dos óbitos de pessoas com 75 ou mais anos, adiantou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). São dados que incluem óbitos por todas as causas.

De acordo com estes dados que ainda são preliminares, em mais de metade dos municípios do país os óbitos nas últimas quatro semanas (entre 3 e 30 de Agosto) foram superiores ao mesmo período do ano passado e, neste conjunto, destacam-se 41 municípios em que o total de mortes foi mesmo 1,5 vezes mais elevado, especifica o INE numa análise sobre “o contexto demográfico e de expressão territorial da pandemia de covid-19” em Portugal.

Apenas uma parte deste excesso de mortalidade resulta dos óbitos por e com covid-19 registados pela Direcção-Geral da Saúde que, até ao final de Agosto, ascendiam a 1852. O excesso de mortalidade por todas as causas observado desde o início da epidemia em Portugal tem, aliás, sido analisado em diversos estudos. Os investigadores especulam que se pode ficar a dever ao facto de algumas pessoas terem morrido pela doença fora do ambiente hospitalar, sem acesso a testes de diagnóstico, e outras pessoas, com doenças agudas ou crónicas graves, terem morrido por não terem procurado o sistema de saúde com medo de ficarem infectadas ou por terem sido cancelados tratamentos considerados não urgentes. 

Baseando-se na mortalidade e uma série de outros indicadores, o INE faz uma sintética análise da epidemia de covid-19 em Portugal, que mantém “uma elevada heterogeneidade territorial”. A partir do final de Agosto, assinala, observou-se uma tendência de aumento do número de novos casos, com valores acima de 2 500 a partir de 7 de Setembro (acumulado de sete dias), que ascenderam a 3075 novos casos (correspondentes a 3 novos casos por 10 mil habitantes) na passada quarta-feira.

Em 53 municípios, o número de novos casos confirmados por 10 mil habitantes foi mesmo superior a este valor, destacando-se um conjunto de 13 municípios na Área Metropolitana do Porto (AMP)e territórios limítrofes e 11 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AMP).

No conjunto dos sete dias que terminou a 6 de Setembro, a AML representava 40% dos novos casos do país (esta área metropolitana incluia 28% da população residente, em 2019), mas, durante as últimas semanas, verificou-se igualmente um aumento do número de novos casos na AMP, que se aproximou dos valores de novos casos confirmados por 10 mil habitantes observados para todo o país. Os novos casos registados nas duas áreas metropolitanas representavam mais de metade (56%) do total de novos casos do país, onde, em 6 de Setembro, havia 58,8 por 100 mil habitantes.

Na região Norte, 29 municípios registaram um valor acima da média do país - Arouca, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Santo Tirso e Paredes, e os municípios de Lousada, Felgueiras, Paços de Ferreira, Castelo de Paiva e Penafiel no Tâmega e Sousa, e de Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Vizela no Ave. Com valores superiores a sete novos casos por 10 mil habitantes, destacavam-se, ainda, os municípios de Sernancelhe (Douro) e Vimioso (Terras de Trás-os-Montes).

Na AML, do total de 18 municípios, 11 apresentaram valores acima do nacional: Sintra e Amadora, com cinco ou mais casos confirmados por 10 mil habitantes, seguindo-se os municípios de Vila Franca de Xira, Odivelas, Lisboa, Oeiras, Loures, Setúbal, Barreiro, Mafra e Seixal.

Também alguns municípios das regiões Centro (Arruda dos Vinhos, Santa Comba Dão, Cantanhede, Águeda e Sátão), Alentejo (Odemira, Santarém, Reguengos de Monsaraz, Campo Maior, Sines, Benavente e Mora) e Algarve (Loulé) apresentavam valores superiores ao valor nacional.

com Lusa