Artistas africanos leiloam obras para apoiar o tecido artístico do continente durante a pandemia

De 28 de Outubro a 5 de Novembro, 73 obras de mais de 30 artistas estarão disponíveis para venda no site da leiloeira Druot. O objectivo é não só apoiar a comunidade artística africana, mas também prosseguir o objectivo de dinamizar o mercado artístico no continente.

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Estilhaços, de Nú Barreto, tem uma base de licitação de cinco mil euros DR,DR
<i>Nuit Allégorique</i>, de Philippe Dodard, tem uma base de licitação de 7500 euros
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Nuit Allégorique, de Philippe Dodard, tem uma base de licitação de 7500 euros DR
<i>Calligraphie de Résidu I<i>, de Viye Diba, iniciará o leilão com um valor de mil euros
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Calligraphie de Résidu I, de Viye Diba, iniciará o leilão com um valor de mil euros DR

Mais de 30 artistas africanos cederam gratuitamente 73 obras para um leilão a decorrer desde quarta-feira e até 5 de Novembro no site da leiloeira francesa Druot. A generosidade dos artistas, entre os quais encontramos o sul-africano William Kentridge, o marroquino Mohamed Melehi, o guineense Nú Barreto, o senegalês Soly Cissé ou o maliano Abdoudaye Konaté, tem um propósito bem definido, apoiar os artistas contemporâneos do continente neste difícil período de pandemia — “Africa Unite Against Covid-19” [África Une-se Contra a covid-19] é o nome da iniciativa.

O valor reunido servirá, no imediato, para atenuar as dificuldades enfrentadas por um tecido artístico que, tal como no resto do mundo, viu a sua actividade e os seus rendimentos drasticamente reduzidos devido às dificuldades de circulação (tanto dos artistas como de bens culturais) e ao cancelamento generalizado de exposições e outros eventos provocado pela pandemia.

Africa Unite Against Covid-19”, iniciativa conjunta da Fondation pour le Développement de la Culture Contemporaine Africaine (FDCCA) e do African Culture Fund (ACF), surgiu depois de uma discussão interna nestas instituições sobre a melhor forma de apoiar os artistas africanos neste período. “A resiliência e a resistência estiveram desde sempre no coração da cultura e da história africanas”, declarou o secretário-geral da FDCCA, o marroquino Fihr Kettani, citado pelo Le Monde. “Se o resultado da nossa luta mundial contra esta pandemia é ainda incerto, reflectir sobre o depois, ou até ‘como viver sem’, é uma obrigação.”

A base de licitação das obras cedidas varia entre os 600 e os 30 mil euros e os fundos reunidos serão posteriormente geridos pelas duas instituições (cada uma será responsável por 50% do dinheiro reunido). Através da iniciativa, tanto a FDCCA como a ACF pretendem não só acudir às necessidades imediatas dos seus artistas, mas também continuar a perseguir os objectivos que presidiram à sua fundação. No caso da ACF, esta passa por afirmar a arte africana, na sua diversidade, como voz legítima e presente no contexto internacional. No caso da FDCCA, de nascimento recente, o foco está em dinamizar o mercado de arte no interior do continente e levar os seus artistas, habitualmente mais conhecidos e reconhecidos no Ocidente, a circularem e desenvolverem as suas carreiras de forma mais profícua em África.

Alguns dos artistas que cederam obras para “Africa Unite Against Covid-19” marcaram presença, no ano passado, na exposição itinerante“Prête-moi ton rêve [“Empresta-me o teu sonho”], que atravessou o continente africano, de Casablanca, em Marrocos, à Cidade do Cabo, no África do Sul, levando vários artistas já reconhecidos internacionalmente até junto de públicos que raramente têm oportunidade de contactar com as suas obras.

Tanto na exposição itinerante como na venda solidária agora anunciada, manifesta-se uma mesma vontade: “Estimular as trocas intergeracionais entre os artistas consolidados e os artistas emergentes através de uma partilha de conhecimentos e de experiências, e participar na dinamização de um mercado artístico intra-africano através da ligação entre os artistas, as galerias e os coleccionadores.”

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