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Rui Oliveira
Reportagem

A Quinta de Soalheiro quer levar o território ao peito

Reerguem-se aldeias — brandas e inverneiras — e recuperam-se histórias das serras e do rio Minho, que se deixa moldar, do contrabando e de pessoas aguerridas que não se deixam ficar. Dizem que o Alvarinho se faz de coisas simples sem grandes complicações. “Isto é um quadro. Parece estático, mas está sempre a mexer.”

Venâncio lança a frase, que soa a adágio. “Uma pedra que caia no Peso tem influência em Novaz.” “No caudal do rio”, completa António, também sentado numa pilha desorganizada de seixos na margem portuguesa do rio Minho. Cai uma pedra à água e “começa a dar lampreia”. É assim. “E nunca mais aquela pedra vai ao sítio”. A curva do rio tem influência na quantidade de lampreias que caem nas pesqueiras, engenhosas armadilhas para lampreias, habilidosos sistemas de muros construídos a partir das margens — as evidências reunidas para a classificação luso-galaica deste património apontam para a sua existência já entre os séculos VII e IX. Sobreviveram a muito. Sobreviveram ao progresso e à sucessão de barragens que sugaram o rio e os seus afluentes. O Minho “já não é nada do que era”. Foram-se “os salmões de quinze, dezasseis quilos”, os carros de bois a carregar peixe e a gente a vender nas aldeias. “A água quando passa por aqui já deu fortunas. Não imagina o que era isto, homem!” Ficou o Minho.