Marcelo diz que vai falar com Costa sobre apoio a Luís Filipe Vieira

O Presidente da República disse não querer falar para já em detalhe, mas referiu-se sempre ao caso como “a posição do primeiro-ministro relativamente às eleições do Benfica” e não a posição do “cidadão”, como tinha feito Costa

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Adriano Miranda

A polémica presença de António Costa na lista de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica vai estar em cima da mesa do próximo encontro entre o primeiro-ministro e o Presidente da República. Quem o afirmou foi Marcelo Rebelo de Sousa. Os jornalistas perguntaram-lhe este domingo: “Sei que é um adepto fervoroso do Sporting Clube de Braga. Se António Salvador [presidente do Braga] fosse candidatar-se amanhã aceitaria integrar a sua comissão de honra?”.

Marcelo respondeu: “Isso é uma maneira subtil de querer saber a minha opinião sobre a posição do primeiro-ministro relativamente às eleições do Benfica. O que eu sei é através da comunicação social e o que eu ouvi foi a explicação do senhor primeiro-ministro dada na comunicação social. Só saberei mais na audiência [com Costa] daqui por uns dias.”

Acrescentou ainda não querer “fazer comentários sobre essa matéria” porque “do que se trata aqui é de uma situação concreta, envolvendo um titular de um órgão de soberania, um clube de futebol, um acto eleitoral de um clube de futebol, em determinadas circunstâncias, num contexto político e jurisdicional também determinado”.

“São muitas componentes para se fazer teoria abstracta”, disse ainda durante uma visita a Alcoutim, no Algarve.

O gabinete do primeiro-ministro primeiro, e o próprio depois (no sábado) recusaram comentar esta presença do nome de Costa na comissão de honra da candidatura de Vieira a nova presidência do Benfica, alegando que se trata de um caso pessoal que nada tem a ver com os cargos oficias que ocupa. António Costa é sócio do Benfica e esta é a terceira vez que vê autoriza o seu nome na lista de honra da candidatura.

Ainda assim, no sábado, Costa foi alvo de duras críticas, nas quais se incluíram Rui Rio e Catarina Martins e o PAN. Algumas vozes socialistas também se associaram a estas críticas.

Preocupações com fecho de Inglaterra

Após a visita ao lar Nossa Senhora da Conceição, em Martim Longo, Marcelo Rebelo de Sousa um jantar com os presidentes de Câmara do Algarve num hotel de Alcoutim, onde se inteirou de como os autarcas pensam reagir ao recente anúncio do Reino Unido de excluir Portugal do corredor aéreo que isenta os viajantes de quarentena à chegada a território britânico devido à Covid-19.

“Quando tivemos a última reunião havia a esperança que se pudesse prolongar o corredor por mais umas semanas, porque havia marcações, havia reservas e expectativas muito boas para o mês de Setembro, para uma série de eventos em Outubro, nomeadamente o Masters de Golfe e a Fórmula 1 e, em Novembro a prova de motos internacional [MotoGP], mas havia o medo que houvesse uma decisão inglesa desfavorável”, disse o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa que agora é esperar para ver o que se vai passar: “Vai depender de duas coisas, da frente diplomática e da evolução da pandemia”, disse, reconhecendo que os dados de infectados divulgados neste domingo pelas autoridades de saúde portuguesas, acima dos 600, “não é uma boa notícia” porque se registou a um fim-de-semana, quando os números costumam ser menores do que nos dias de semana.

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