Villanueva del Fresno quer confinar a sua população para evitar surto de Reguengos

Contactos entre residentes dos dois lados da fronteira vão vistos como um factor que potencia a proliferação do coronavírus. Um dos exemplos é a compra de combustível em Espanha.

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LUSA/NUNO VEIGA

O concelho de Reguengos de Monsaraz tem neste momento 131 casos activos infectados com o coronavírus, precisamente o dobro dos registados em toda a região autonómica da Extremadura espanhola que regista 66 pessoas infectadas. Com receio que a pandemia passe a fronteira, o autarca de Villanueva del Fresno já fala em confinamento da sua povoação.

A amplitude do foco em território português preocupa os autarcas de Villanueva del Fresno e de Valência de Mombuey que, na quarta-feira, solicitaram ao Governo espanhol o encerramento da fronteira com Portugal para impedir a proliferação do vírus. E já há na Extremadura quem diga que o pedido tem razão de ser.

Nesta sexta-feira, Ramón Díaz Farias, o responsável pelo município de Villanueva del Fresno, voltou a assumir publicamente o seu receio que a população do seu concelho possa vir a sofrer as consequências da foco da covid-19 localizado em Reguengos de Monsaraz. Numa nota enviada à comunicação social extremenha, Díaz Farias voltou a referir que o seu município fica a apenas 35 quióômetros da cidade portuguesa de Reguengos de Monsaraz, onde um surto de coronavírus já causou 16 mortes e infectou 169 pessoas, das quais 133 continuam sendo casos activos. Perante este quadro, o autarca quer aplicar medidas para proteger a sua população do vírus, vincando que não se trata de uma medida “contra Portugal mas contra um vírus que não entende fronteiras”.  

A medida preventiva que pretende aplicar contempla o confinamento da população de Villanueva del Fresno para impedir que o covid-19 se expanda. O contacto entre as comunidades dos dois lados da fronteira tem riscos muito elevados e dá um exemplo: “Quando saíram as notícias de que tínhamos pedido o encerramento da fronteira com Portugal, o posto de gasolina do município estava cheio de carros portugueses” que iam atestar os depósitos das suas viaturas por o combustível ser mais barato em Espanha.  

“Não podemos entender que Reguengos de Monsaraz (cerca de 11.000 habitantes) com 133 casos activos, não estejam isolados, como aconteceu na povoação espanhola de Lugo, que tem um número semelhante de residentes”, observa o autarca espanhol.

Instado a pronunciar-se sobre um eventual encerramento da fronteira, o vice-presidente e conselheiro de Saúde e Serviços Sociais da Junta Autónoma da Extremadura, José María Vergeles, afirmou que essa medida “é necessária” por recear que a situação epidemiológica na região espanhola possa vir a agravar-se. “Entendo a preocupação dos autarcas” de Villanueva del Fresno e de Valencia de Mombuey "dada a sua proximidade do foco de Reguengos de Monsaraz. Fizeram bem em enviar a carta com o pedido à delegação do governo” pedindo o encerramento da fronteira com Portugal.

Numa reacção às reivindicações dos dois autarcas espanhóis, José Calixto, presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, diz que não foi contactado pelos colegas do outro lado da fronteira a dar conta do seu propósito de solicitar às autoridades do país vizinho o encerramento da fronteira.

O autarca português recorda em declarações enviadas ao PÚBLICO que no seu concelho “não há um surto de contágio descontrolado” e que ao longo dos últimos dias “não se verificou a existência de qualquer caso conhecido que não estivesse confinado na comunidade.”

Comparando a decisão dos autarcas espanhóis com a posição anteriormente assumida pelos colegas portugueses, José Calixto recorda que “quando houve notícia de uma série bastante grande de casos infectados em Espanha, sempre acreditámos nas capacidades das autoridades de saúde pública espanholas” que estão envolvidas no combate à pandemia.

“Os nossos colegas espanhóis certamente que necessitarão de mais alguma informação para que possam transmitir posições mais tranquilas sobre o contágio” que poderá estar a atravessar a fronteira, conclui o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz.