Quando reabrem os lares? Instituições querem uma data – e que seja “em breve”

Governo diz que ainda não é possível apontar uma data certa para o levantamento da suspensão das visitas em lares, fechados desde 16 de Março.

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Lares de idosos ainda não têm data para retomar visitas PAULO PIMENTA/Arquivo

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) defende que é preciso “apontar uma data” para a retoma das visitas aos idosos em lares, considerando que “hoje era já um dia bom”, com a celebração do Dia da Mãe.

“Com testes feitos [da covid-19], doentes a serem tratados como devem ser tratados, com equipamentos de protecção individual, com distanciamento assegurado, penso que o dia 3 de Maio, dia de hoje, era já um dia bom para isso, não é possível, mas é o Dia da Mãe, era uma forma concreta de o podermos celebrar”, afirmou à Lusa o presidente da CNIS, Lino Maia, reforçando que tal “não é possível”, porque “não está decidido”.

Segundo a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, ainda não é possível apontar uma data certa para o levantamento da suspensão das visitas em lares, instituições que estão de portas fechadas, a nível nacional, desde 16 de Março, situação que se iniciou na região Norte, em 7 de Março.

“Primeiro é preciso eliminar riscos, reduzir ao mínimo o perigo de contágio, e é isso que estamos a fazer ao testar todos os funcionários de lares – o perigo vem de fora – e idosos sintomáticos a nível nacional, o que deverá estar concluído daqui a duas ou três semanas”, afirmou a ministra Ana Mendes Godinho, na sexta-feira, numa entrevista ao Expresso.

“Soma-se a isso a formação dos trabalhadores em questões de segurança e o reforço dos recursos humanos. E, mesmo assim, só se avançará com datas quando a avaliação técnica da Direcção-Geral da Saúde (DGS) o permitir”, acrescentou.

Para o padre Lino Maia, presidente da CNIS, deve-se, “pelo menos, apontar uma data” para o levantamento da suspensão das visitas aos idosos que estão em lares, lembrando que a proibição das visitas “foi a primeira medida adoptada” no âmbito da pandemia da covid-19, em que “as instituições cumpriram religiosamente e compreendem perfeitamente essa medida”, mas “já lá vão dois meses”. As pessoas acima dos 70 anos estão mais vulneráveis a contrair a covid-19.

“Os idosos estão ali enclausurados”, ressalvou Lino Maia, reclamando que “não podem ser esquecidos, não podem ser abandonados”.

“Com testes feitos, com equipamentos de protecção individual assegurados, com os doentes covid-19 a ser tratados como devem ser tratados, com identificação de espaços para que só uma visita de cada vez possa ser feita, com distanciamento entre o utente e a visita, com moderação, com programação, penso que era oportuno pensar-se já em visitas”, reforçou o presidente da CNIS, acrescentando que os idosos também vão tendo notícias sobre a retoma da actividade económica e a reabertura de escolas e creches.

Assim, as instituições de solidariedade defendem que é “conveniente e necessário” avançar com uma data a partir da qual será possível retomar as visitas nos lares, de forma programada, acautelando que não se trata de “escancarar as portas”.

“A data não pode ser muito lá para adiante, não podemos pensar que 1 de Outubro é o Dia Mundial dos Idosos, não pode ser para essa data, tem de ser para mais cedo, muito mais cedo”, declarou Lino Maia, esperando que o levantamento da suspensão das visitas nos lares acontece “em breve”, com todos os cuidados de segurança devido à covid-19.

Com 847 lares no país, a CNIS tem procurado assegurar, permanentemente, os contactos dos idosos com os seus familiares, tarefa que “não é fácil” e acaba por ser insuficiente: “O idoso precisa de ver um sorriso, precisa de partilhar uma lágrima, ainda que não seja e não pode ser em contacto físico, mas visivelmente é importante que isso aconteça”.

Sobre iniciativas de lares que estão a organizar visitas, assegurando a distância de segurança entre utentes e familiares, o representante das instituições de solidariedade considerou que “é louvável” a capacidade de ir descobrindo formas de manter idosos e famílias em contacto, mas não se pode “unilateralmente tomar qualquer decisão que antecipe uma decisão vinda de cima”.

“É importante que multipliquemos contactos, mas à distância, com os meios que estão facultados, mas a entrada no lar ainda não é autorizada, por isso temos de aguardar”, advertiu.

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