Taiwan: uma ilha de desporto no planeta da pandemia

Basquetebol, futebol, beisebol. Tudo se joga neste país asiático que é considerado um dos melhores exemplos na luta contra a covid-19.

Taiwan
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Reuters/ANN WANG
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,Dia de abertura
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,Posições de beisebol
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LUSA/DAVID CHANG
Beisebol universitário
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Enquanto países como os EUA anunciam milhares de novos casos diários de covid-19, Taiwan anunciou neste domingo apenas três novas infecções, subindo o número total para 388. E é por isto que esta ilha no Mar da China, com uma população a rondar os 24 milhões de habitantes, tem, nestes tempos, aquilo que quase nenhum outro país do planeta tem: competições desportivas. Em Taiwan, há futebol, basquetebol e beisebol. Sem espectadores e, no caso do beisebol (a modalidade mais popular do país), com robots na bancada.

Se em outros países nos quais ainda se joga futebol, como a Nicarágua ou a Bielorrússia, se tem a sensação de que a bola continua a rolar por uma questão de autoritarismo estatal, em Taiwan é uma boa consequência das políticas agressivas e atempadas no combate à propagação do novo coronavírus. E foi com este espírito que se começou a jogar na ilha, à porta fechada e com todas as medidas de segurança sanitária possíveis. Apenas jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes e operadores de câmara podem entrar nos estádios. A cada um deles é medida a temperatura antes de entrar, e todos usam álcool para se desinfectarem. Se alguém apresentar sintomas, vai toda a equipa para quarentena.

E talvez valha a pena acompanhar este campeonato de Taiwan que arrancou neste domingo: 18 golos em quatro jogos, uma média de 4,5 golos por jogo. Não é difícil seguir esta competição de futebol. Em vez de tentar ver se há algum canal taiwanês entre as centenas que estão no seu pacote de cabo, ou andar à procura de um stream ilegal, basta procurar o canal da federação no Youtube: os jogos são todos transmitidos em directo.

Medidas semelhantes são adoptadas no beisebol, mas com um pequeno acrescento: há uma espécie de público nas bancadas. Para já, foi só ideia de uma das equipas, os Rakuten Monkeys, que colocaram nas bancadas manequins robóticos entre figuras de cartão recortadas para simular a existência de espectadores. Para já, tudo o que os robots fazem é tocar tambor. Ainda estão longe de conseguirem celebrar um “home run” ou criticarem os árbitros.

Também o basquetebol se joga em condições controladas. A Liga tem apenas cinco equipas, o tamanho certo para se conseguir metê-la num único pavilhão. Todos os jogos se disputam no mesmo sítio, nunca podendo estar dentro do recinto mais de 100 pessoas ao mesmo tempo. Só lá podem estar atletas e staff, árbitros, operadores de câmara e jornalistas, e quem não tiver sapatos com solas de borracha só pode andar dentro do recinto com meias. É um campeonato dentro de uma bolha que pode bem ser o futuro imediato do desporto mundial.