Fenprof exige que escolas suspendam já o acolhimento de filhos de profissionais da saúde

Existem cerca de 700 escolas abertas para garantirem refeições e acolhimento de filhos de trabalhadores de serviços essenciais.

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Estrutura liderada por Mário Nogueira alerta para risco acrescido de contágio LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) exortou o Ministério da Educação (ME) a travar “urgentemente, qualquer tipo de acolhimento” de alunos pelas escolas que a tutela decidiu manter abertas neste período de férias.

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A Federação Nacional de Professores (Fenprof) exortou o Ministério da Educação (ME) a travar “urgentemente, qualquer tipo de acolhimento” de alunos pelas escolas que a tutela decidiu manter abertas neste período de férias.

Com a pandemia a “agravar-se” e quando da Direcção-Geral da Saúde “reforça o aviso de que a semana que se segue é particularmente sensível”, ao manter-se escolas abertas para receber os filhos de profissionais de saúde e de forças de segurança pode “estar-se a contribuir para o agravamento da situação epidemiológica”, alerta a Fenprof numa nota divulgada nesta terça-feira.

Por essa razão, esta estrutura sindical apela ao ministério para que transmita “instruções, urgentemente, para que as escolas/agrupamentos não procedam a qualquer tipo de acolhimento durante a interrupção do final do 2.º período”.

Durante as últimas duas semanas, o ME manteve cerca de 700 escolas abertas para providenciarem refeições a alunos carenciados e garantirem o acolhimento dos filhos de trabalhadores de serviços essenciais, na área da saúde ou segurança, entre outras, uma vez que os pais não podem optar pelo regime de teletrabalho.

Segundo o ME, naquele período os estabelecimento de ensino em causa deram “resposta a 150 filhos/educandos de trabalhadores de serviços especiais” e serviram uma média de 6500 refeições diárias.

Na sua nota, a Fenprof não faz qualquer referência ao serviço de alimentação. Contesta apenas, como já tinha feito logo que a decisão foi tomada, a função de acolhimento, por entender que estas escolas “constituiriam nichos de risco acrescido, uma vez que crianças, de famílias onde já é grande o risco de contágio, teriam de permanecer todo o dia com outras crianças de risco semelhante”.

Referindo que continuam a ser notificados “docentes e não docentes para regressarem aos estabelecimentos de ensino, adstritos a esta actividade [acolhimento]”, adianta que “a insistência nestes procedimentos contribuirá para agravar a situação de risco de saúde pública e para uma maior contaminação com o novo coronavírus, numa altura, já por si, considerada extremamente crítica”.