Histórias imperfeitas: poesia e artes visuais

Estamos face a uma das mais significativas obras poéticas surgidas nos últimos anos.

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As violências de que somos herdeiros e que nem sempre são iluminadas; é esta a matéria vibrante em que Ágora mergulha Fernando Veludo/NFACTOS

Rectificar a História, título de um poema, sobre Madalena penitente, deste belíssimo livro de Ana Luísa Amaral, poderia ser também o título da obra em si. Veremos de seguida a razão. Por agora, começo por salientar que estamos face a uma das mais significativas obras poéticas surgidas nos últimos anos, na sua coesão, na sua ideia, na forma simultaneamente densa e substantiva como é declinada. Sublinho desde já, também, que o título efectivo da obra, Ágora, anuncia e perfaz a substância da matéria poética que lemos. Sabemos que a ágora foi, no contexto de polis grega, o espaço de reunião, diálogo e cidadania por excelência — lugar em que política e cultura se irmanavam pela expressão verbal. Deste sentido podemos reter alguns elementos para a leitura da obra em questão, que representa mais uma das várias formas de diálogo possível aqui equacionadas: trata-se de um diálogo entre poesia e artes visuais (pintura, mosaico, cerâmica) — na tradição da poesia ecfrástica, em que, dentro da poesia portuguesa contemporânea, sobressaíram nomes como Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, ou Pedro Tamen, entre outros; trata-se também de um diálogo entre poesia e tradições culturais que fundam a cultura europeia — concretizando, a tradição cultural judaico-cristã, por um lado, e a greco-romana, por outro; é enfim um diálogo entre uma História per-feita e uma História revisitada (e, não menos importante, “rectificada”).

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Rectificar a História, título de um poema, sobre Madalena penitente, deste belíssimo livro de Ana Luísa Amaral, poderia ser também o título da obra em si. Veremos de seguida a razão. Por agora, começo por salientar que estamos face a uma das mais significativas obras poéticas surgidas nos últimos anos, na sua coesão, na sua ideia, na forma simultaneamente densa e substantiva como é declinada. Sublinho desde já, também, que o título efectivo da obra, Ágora, anuncia e perfaz a substância da matéria poética que lemos. Sabemos que a ágora foi, no contexto de polis grega, o espaço de reunião, diálogo e cidadania por excelência — lugar em que política e cultura se irmanavam pela expressão verbal. Deste sentido podemos reter alguns elementos para a leitura da obra em questão, que representa mais uma das várias formas de diálogo possível aqui equacionadas: trata-se de um diálogo entre poesia e artes visuais (pintura, mosaico, cerâmica) — na tradição da poesia ecfrástica, em que, dentro da poesia portuguesa contemporânea, sobressaíram nomes como Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, ou Pedro Tamen, entre outros; trata-se também de um diálogo entre poesia e tradições culturais que fundam a cultura europeia — concretizando, a tradição cultural judaico-cristã, por um lado, e a greco-romana, por outro; é enfim um diálogo entre uma História per-feita e uma História revisitada (e, não menos importante, “rectificada”).