Depois de uma missão recorde, a astronauta Christina Koch voltou à Terra

Juntamente com Christina Koch, também regressaram à Terra o astronauta Luca Parmitano e o cosmonauta Alexander Skvortsov.

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A astronauta norte-americana Christina Koch, que participou no primeiro passeio espacial só com mulheres, aterrou no Cazaquistão esta quinta-feira depois de uma missão recorde na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) que durou 328 dias. O objectivo desta missão era obter novos conhecimentos sobre uma estadia de longa duração no espaço.

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A astronauta norte-americana Christina Koch, que participou no primeiro passeio espacial só com mulheres, aterrou no Cazaquistão esta quinta-feira depois de uma missão recorde na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) que durou 328 dias. O objectivo desta missão era obter novos conhecimentos sobre uma estadia de longa duração no espaço.

O regresso da astronauta foi feito a bordo da cápsula Soiuz MS-13, que também transportou o astronauta italiano Luca Parmitano e o cosmonauta russo Alexander Skvortsov. Todos serão agora transportados pelas equipas de busca e recuperação para a região de Caraganda (ainda no Cazaquistão), para depois iniciarem a sua viagem para casa.

“Estou tão maravilhada e feliz neste momento”, disse Christina Koch sentada numa cadeira envolta em cobertores, enquanto esperava para ser levada para uma tenda médica, onde poderá restabelecer o seu equilíbrio. Agora, Christina Koch é a mulher com a mais longa estadia no espaço. Até então, esse recorde pertencia à astronauta norte-americana Peggy Whitson.

Juntamente com a astronauta norte-americana Jessica Meir, Christina Koch protagonizou o primeiro passeio espacial só com mulheres em Outubro de 2019. A primeira tentativa de um passeio totalmente feminino foi em Março, mas a missão foi adiada porque uma das astronautas vestia o tamanho médio e o fato não estava configurado a tempo da caminhada. Esta situação levou a um debate sobre a igualdade de género na comunidade espacial.

Os astronautas na ISS já fizeram 227 passeios espaciais para manutenção e só cerca de duas dúzias incluíram mulheres, de acordo com a NASA. Em Janeiro, Jessica Meir e Christina Koch participaram em mais dois passeios espaciais.

A estadia de Christina Koch durante 328 dias dará agora aos investigadores mais dados sobre como a ausência de peso e a radiação espacial afectam o corpo feminino em longas estadias espaciais. Nos próximos tempos, estas informações poderão ser úteis para a NASA concretizar o seu objectivo de construir na próxima década uma estação espacial permanente na Lua.

A estadia do astronauta norte-americano Scott Kelly, que passou 340 dias em órbita, trouxe mais pormenores sobre como uma viagem de longa duração no espaço causa efeitos na saúde humana, como o espessamento da artéria carótida e do nervo da retina e mudanças na expressão dos genes (mas não alterou o ADN propriamente dito).

Christina Koch partiu para o espaço em Março de 2019 e a sua missão era para durar apenas seis meses. Em Abril, já quando a astronauta estava na ISS, a missão acabou por ser estendida para quase um ano.

O tempo no espaço

Já Luca Parmitano vai agora para instalações da Agência Espacial Europeia (ESA) em Colónia, na Alemanha, onde continuará a ser monitorizado por uma equipa de medicina espacial e se readaptará à gravidade da Terra, refere a agência em comunicado.

Durante a sua estadia na ISS, o astronauta comandou a estação, realizou quatro caminhadas espaciais para manutenção, conquistou o recorde europeu de maior número de horas acumuladas nas caminhadas espaciais de 33 horas e 9 minutos, operou remotamente um veículo espacial que se encontrava na Holanda e participou em mais de 50 experiências europeias e 200 experiências internacionais. Ainda conseguiu ter tempo para transmitir uma mensagem sobre alterações climáticas na 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas.

Agora, já em Terra, Luca Parmitano trabalhará com cientistas noutras experiências, como uma de diagnóstico acústico em que investiga o impacto do ambiente na ISS na audição dos astronautas e uma outra que analisa se os astronautas avaliam o tempo de maneira diferente no espaço.