Huawei nega receber benefícios especiais de Pequim

O Wall Street Journal noticia que o governo chinês terá apoiado a ascensão da tecnológica com 75 mil milhões de dólares.

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A relação da Huawei com o governo chinês tem sido alvo de grande escrutínio em 2019 Reuters/Wolfgang Rattay

A Huawei acusa o Wall Street Journal de se basear em “informações falsas e sem lógica” numa reportagem sobre os apoios que a empresa chinesa recebe de Pequim. Em causa está uma notícia do jornal norte-americano, publicada a 25 de Dezembro, que informa que o governo chinês terá apoiado a ascensão da tecnológica com 75 mil milhões de dólares (o equivalente a 67,5 mil milhões de euros).

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A Huawei acusa o Wall Street Journal de se basear em “informações falsas e sem lógica” numa reportagem sobre os apoios que a empresa chinesa recebe de Pequim. Em causa está uma notícia do jornal norte-americano, publicada a 25 de Dezembro, que informa que o governo chinês terá apoiado a ascensão da tecnológica com 75 mil milhões de dólares (o equivalente a 67,5 mil milhões de euros).

Num comunicado enviado esta quinta-feira à comunicação social, e partilhado pela empresa nas redes sociais, a empresa diz que o artigo do Wall Street Journal se baseia em especulação e que o “sucesso da Huawei resulta de 30 anos de investimentos avultados”. A empresa não desmente receber alguns incentivos governamentais, mas diz que, nos últimos dez anos, 90% do capital “foi exclusivamente resultado” das suas operações comerciais.

A empresa chinesa acrescenta que pondera “tomar medidas legais” contra o jornal norte-americano. Contactada pelo PÚBLICO, a Huawei não confirma se vai avançar para tribunal, nem apresenta valores que contestem os do Wall Street Journal, remetendo apenas para o comunicado.

De acordo com a investigação do jornal, Pequim terá contribuído fortemente para o sucesso da Huawei: a maior parte do apoio (46 mil milhões de dólares) terá sido atribuída na forma de empréstimos e assistências por unidades estatais. Além disso, a empresa terá poupado cerca de 25 mil milhões de dólares em impostos (resultado de incentivos fiscais ao sector tecnológico), 2 mil milhões de dólares com descontos na aquisição de terrenos, e 1,6 mil milhões de dólares em subvenções. 

A empresa, porém, nota que “o relacionamento da Huawei com o governo chinês não é diferente de qualquer outra empresa privada que opera na China”, sendo que todas as tecnológicas a operar na China – incluindo as estrangeiras – podem candidatar-se a subsídios. O foco de grande parte destes programas é o apoio à investigação. 

“A Huawei utiliza esses subsídios como qualquer outra empresa, o que não é de estranhar, uma vez que, tal como o próprio artigo refere, é comum que os governos, também no Ocidente, ofereçam subsídios para apoiar programas de pesquisa tecnológica”, lê-se no comunicado. “Contudo, nunca recebemos nenhum tratamento adicional ou especial”.

Para a Huawei, o apoio que recebe do governo chinês não é o que impulsiona os seus resultados, mas sim o investimento em investigação e desenvolvimento de novo produtos (uma área em que a empresa diz investir 10% a 15% da receita anual). Na última década, o investimento terá chegado aos 73 mil milhões de dólares.

De polémica em polémica

A relação da Huawei com o governo chinês tem sido alvo de grande escrutínio nos últimos meses. Em Maio deste ano, a tecnológica foi apanhada no meio de uma disputa comercial entre os EUA e China quando a administração de Donald Trump a incluiu numa “lista negra” de entidades às quais as empresas americanas não podem fornecer serviços ou produtos. O governo norte-americano justificou a decisão com base em receios de espionagem de Pequim, afirmando que a empresa representa um risco de segurança nacional.

Em consequência das sanções impostas pelos EUA, os novos telemóveis topo de gama da Huawei vão chegar ao mercado sem aplicações do Google pré-instaladas e sem acesso à loja do Google. A ausência destas aplicações torna os novos modelos menos apelativos para consumidores nos mercados ocidentais, razão pela qual a empresa está a contactar criadores de aplicações populares em todo o mundo, incluindo em Portugal, que estas sejam disponibilizadas na Huawei App Gallery.

Desde o começo do ano que os EUA também têm estado a tentar convencer os seus aliados, incluindo Portugal, a impedir a chinesa Huawei de fornecer equipamentos de infra-estrutura para as redes 5G, argumentando novamente que há o risco de espionagem.

A Huawei aproveitou o comunicado recente sobre a notícia do Wall Street Journal para notar que o sucesso com o 5G se deve a um investimento de mais de quatro mil milhões de dólares entre 2009 e 2019, o que se traduz num “valor superior ao investimento total em 5G dos principais fornecedores de equipamento dos Estados Unidos e da Europa em conjunto”.