Os Primal Scream não sabem dar um mau concerto

Em digressão para promover a colectânea de singles Maximum Rock’n’Roll, a banda escocesa seguiu o caminho menos óbvio, mas conseguiu guiar o público para um lugar feliz.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Não é que haja nada de especialmente novo para descobrir nos Primal Scream, tendo em conta a frequência da sua presença em Portugal (no Alive ainda este Verão ou em Vilar de Mouros em 2017) e o facto do seu último disco de originais (Chaosmosis) já ter três anos. Mas havia a curiosidade de perceber como funciona a banda fora do palco dos festivais, numa sala como o Hard Club, no Porto, e quem compareceu pode levar para casa, ao fim de uma hora e meia, uma certeza: os Primal Scream não sabem dar um mau concerto.

Gonna get high ‘till the day I die. Bobby Gillespie entrou em palco no seu já habitual fato fúcsia com promessas de delírio nocturno e o alinhamento foi por esse caminho. Depois de Don’t  fight it, feel it, do distante Screamadelica (1991) seguiu-se Swastica Eyes e Miss Lucifer, a banda escocesa entregava-se com deleite com a sua faceta pista de dança com toques punk e o público, mesmo que surpreendido, ia começando a entrar neste ritmo desbragado.

Surpreendido, porque a promessa de uma digressão tendo como mote a colectânea de singles Maximum Rock’n’Roll, fazia prever o desfile dos êxitos de 30 anos de carreira e os primeiros temas, não sendo propriamente pérolas escondidas não eram os mais transversais. No palco de Algés, por exemplo, a abertura tinha sido com o delírio soul de Movin’ On Up e a rockalhada de Jail Bird. Mas paciência, os Primal Scream sabiam muito bem onde estavam e para onde iam.

Fecharam a pista de dança com Kill all Hippies, para abrir um bar de blues com um perdido I’m Losing More do Than I’ll Ever Have do insuspeito Primal Scream (1989) e o público foi atrás dele, acompanhando com palmas ritmadas um tema que muitos de certo desconheciam. Os Primal Scream que tocavam com a formação habitual de cinco elementos – Bobby Gillespie (voz), Andrew Innes (guitarra), Martin Duffy (teclados), Darrin Monney (bateria) e Simone Butler (baixo) – tinham, por esta altura, ganho mais um elemento, o público que com palmas ou fazendo as vezes do coro ia seguindo as indicações de um maestro, Bobby, que, de sorriso rasgado mostrava uma satisfação juvenil.

O público contribuiria mesmo em temas recuperados para a colectânea como o single Velocity Girl (1986) ou Dolls que, com 20 anos de diferença, saiu de Riot City Blues (2006). Por esta hora, os Primal Scream tinham feito a prova que, sem apostar no óbvio, conseguiam construir um concerto sólido e entusiasmante, com temas que, certamente, não figurariam nas primeiras escolhas da plateia. E se por vezes, nesta parte do concerto, Bobbie Gillespie, ficava desconcertantemente imóvel no centro do palco, deixando a música fluir, a sua gestão das expectativas do público nunca pareceu estar em causa.

 Aí por 100% or nothing, tema do último álbum, o público já se tinha esquecido o conforto dos êxitos consagrados e foi nessa altura que os Primal Scream, para o impulso final, decidiram abrir o livro. Lá veio Loaded, Movin’ on Up e o fecho com Country Girl. Para o bis, em modo já de “vejam lá se aguentam” seguiram-se Come Together, Jailbird e Rocks. Gillespie sorria e muita gente seguiu para casa com a alma cheia.

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