Benfica pediu explicações e PS demarcou-se das declarações de Ana Gomes

Carta enviada por Luís Filipe Vieira a Carlos César, presidente do Partido Socialista, pede esclarecimento sobre a posição do partido em relação às declarações de Ana Gomes, sobre a transferência de João Félix.

Ana Gomes tem sido uma das personalidades que mais tem criticado a falta de transparência financeira no futebol
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Ana Gomes tem sido uma das personalidades que mais tem criticado a falta de transparência financeira no futebol Miguel Manso

Luís Filipe Vieira, presidente da Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD endereçou, no passado dia 11 de Julho, uma carta a Carlos César, presidente do Partido Socialista (PS). Em causa, estão as declarações de Ana Gomes, eurodeputada socialista, sobre a transferência de João Félix para o Atlético de Madrid. Na resposta, o presidente dos socialistas refere que o partido não tomou nenhuma “posição institucional” e que as opiniões de Ana Gomes reflectem apenas “uma posição própria e pessoal”.

Ana Gomes publicou no Twitter um comentário sobre a transferência do jogador do Benfica que ascendeu aos 126 milhões de euros. Tudo começou quando, naquela rede social, Bruno Faria Lopes, jornalista da Sábado, disse não ter encontrado uma “explicação racional e fundamentada” para uma venda com valores tão elevados. “Um jogador de futebol com apenas 19 anos, que jogou meia época num campeonato de terceira categoria, e que aí se revelou, é vendido por 120 milhões de euros, naquela que é a quarta maior transferência de sempre. Ainda não li uma explicação racional, e fundamentada, para isto”, escreveu o jornalista. Em resposta, a então eurodeputada questionou se a transferência do internacional português de 19 anos não seria um “negócio de lavandaria”.

Agora, na carta a que o PÚBLICO teve acesso, o clube da Luz pedia a Carlos César que se pronunciasse sobre as declarações de Ana Gomes, que tiveram um “evidente propósito de calúnia e gravidade criminal associada”, sob o risco de o silêncio dos socialistas poder ser entendido como uma “aceitação tácita ou, pelo menos, tolerância quanto ao respectivo teor [das declarações].”

Vieira considera que a posição de eleita para o Parlamento Europeu pelo PS conferiu a Ana Gomes “notoriedade” e uma “relevância mediática” às suas declarações, promovendo uma assimilação por parte da opinião pública, lê-se na referida carta a que o PÚBLICO teve acesso.

Dias depois das considerações tecidas por Ana Gomes, o Benfica deixou claro que iria avançar com um processo judicial contra Ana Gomes. “No passado dia 27 de Junho, através de um comentário publicado na rede social Twitter, a Dr.ª Ana Gomes objectivamente conotou a venda do atleta do Sport Lisboa e Benfica, João Félix, com uma operação de lavagem de dinheiro/branqueamento de capitais. A sua declaração foi objecto de significativa repercussão na imprensa nacional e estrangeira, gerando enorme indignação no Sport Lisboa e Benfica”, justificaram os “encarnados”.

Antes de deixar o seu cargo de eurodeputada, Ana Gomes enviou uma carta a vários membros do Governo português, autoridades judiciais e várias instâncias europeias com um conjunto de documentação divulgada pelo Football Leaks que “exemplifica esquemas de triangulação e de bridge transfer [esquema eventualmente fraudulento] engendrados para aqueles propósitos e utilizados por clubes portugueses”.

“Para investigação de eventuais crimes de fraude e evasão fiscal e branqueamento de capitais envolvidos nas transferências de jogadores entre clubes de futebol, correntemente em curso e implicando somas faraónicas, junto envio a v. Exas um conjunto de documentação obtido e publicada via Football Leaks”, escreveu a ex-eurodeputada na missiva.