Lisboa celebra os 70 anos de Os Surrealistas

Para celebrar os 70 anos da primeira exposição do grupo Os Surrealistas vão ser realizados vários tributos em Lisboa de forma a honrar o grupo e os seus fundadores.

Foto
Quatro exposições e um tributo a Cruzeiro Seixas (na fotografia), um dos fundadores, como Mário Cesariny, de Os Surrealistas Nelson Garrido

De forma a celebrar os 70 anos da primeira exposição do grupo Os Surrealistas vão ser apresentadas em Lisboa, a partir de quarta-feira, quatro exposições e um tributo a Cruzeiro Seixas, um dos fundadores, como Mário Cesariny.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

De forma a celebrar os 70 anos da primeira exposição do grupo Os Surrealistas vão ser apresentadas em Lisboa, a partir de quarta-feira, quatro exposições e um tributo a Cruzeiro Seixas, um dos fundadores, como Mário Cesariny.

De acordo com a organização, a celebração será um ciclo intitulado Reviver Os Surrealistas em Lisboa, 70 anos depois!, e pretende evocar a exposição que lançou, em 1949, na capital portuguesa, o grupo que se opôs ao Grupo Surrealista de Lisboa, que também expôs no mesmo ano. Mário Cesariny, que começou por fazer parte do Grupo Surrealista de Lisboa acabaria por sair e fundar um novo (anti-)grupo ao qual pertenceram Cruzeiro SeixasMário-Henrique Leiria, António Maria Lisboa, H. Risques Pereira, Fernando José Francisco e Pedro Oom, entre outros. As exposições dos dois grupos, nesse ano, durante 15 dias, provocaram escândalo na época e constituiriam um marco na modernidade em Portugal, influenciando sucessivas gerações de futuros autores.

Cruzeiro Seixas, último dos fundadores do “anti-grupo” que permanece ainda activo, com quase 99 anos de idade, irá ter um tributo na mostra antológica, por ele intitulada Construir o nada perfeito, que abrirá o ciclo na quarta-feira, no espaço Atmosfera M, da Associação Mutualista Montepio, na Rua Castilho, em Lisboa. A exposição será evocada também a partir de sábado no núcleo Surrealismo em 1949, na Perve Galeria, em Alfama.

No mesmo dia, na Casa da Liberdade - Mário Cesariny, apresentam-se na exposição Conexões e Miscigenação até 1975, obras realizadas até 1975, que revelam a influência de Os Surrealistas num conjunto alargado de autores dos países de língua portuguesa. Essa influência teve um protagonista maior: Artur do Cruzeiro Seixas, que rumou a África em 1952, acabando por se fixar em Angola até 1964, aí realizando várias exposições marcantes.

No dia 2 de Julho, irá inaugurar-se, na Galeria aPGn2 (A PiGeon too), em Alcântara, a mostra Global(ismo), que reúne obras realizadas desde o ano 2000, por artistas internacionais e dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), “numa perspectiva de homenagear Os Surrealistas e de colocar em evidência os múltiplos caminhos que este movimento abriu e onde se mantém actual”, segundo a organização.

Serão apresentados filmes sobre Os Surrealistas e o seu percurso, entre os quais os realizados, nos anos 1950 do século XX, por Carlos Calvet.

Sob a curadoria de Carlos Cabral Nunes, este ciclo de celebração irá contemplar também diversos actos performativos e outras exposições, a realizar em vários pontos do país.