Nuno Ferreira Santos

Mais letrados e mais saudáveis, os novos velhos terão direito a uma segunda adolescência

Continua a fazer sentido usar os 65 como marcador etário para marcar a entrada na terceira idade? “De modo nenhum”, respondem especialistas. Os velhos do futuro serão mais letrados, mais tecnológicos, mais saudáveis e mais donos de si. Há até quem aponte a emergência de uma nova espécie de adolescência depois dos 65 anos: a gerontolescência. Bem-vindos ao futuro das sociedades envelhecidas.

A primeira tentativa do PÚBLICO redundou num fracasso. “Estava no ginásio, não a pude atender”, desculpa-se o médico Manuel Carrageta. Detentor de quatro especialidades médicas, acumula o atendimento de doentes no seu consultório com a presidência da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia e da Fundação Portuguesa de Cardiologia. Tem 77 anos; é idoso, portanto. Continua, porém, a trabalhar “como se tivesse 50”, garante, explicando, não sem mágoa, que só se reformou do sector público porque foi obrigado, quando dobrou a esquina dos 70. “Trabalhei até ao último dia e teria continuado a trabalhar, até voluntariamente se fosse possível, mas o ministério não deixa”, lamenta, para diagnosticar que, neste cenário de inelutável envelhecimento demográfico em que Portugal se destaca a nível internacional pela velocidade com que a sua população está a envelhecer, “ou o país muda ou vamos entrar numa crise muito grande”.